sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Da magia


Eu adoro o Natal.

Adoro ver a minha casa decorada, adoro estar debaixo da minha mantinha, colada à minha filha e, na penumbra da sala, ver pelo canto do olho as luzinhas da árvore a piscar.

Adoro ver os filmes de Natal para miúdos e graúdos repletos de encantamento e magia.

Adoro comprar os presentes, embrulhá-los,  colocá-los debaixo da árvore a dar-lhe ainda mais vida.

Adoro antecipar na minha imaginação o brilho nos olhos da minha filha, dos meus sobrinhos ou até mesmo dos adultos ao desfazer os embrulhos coloridos e conseguir vislumbrar sorrisos sinceros de felicidade.

Adoro muito mais dar do que receber. Adoro pensar que consigo tirar um poucochinho do pouco que tenho e partilhar com quem tem menos e tentar espalhar essa sensação ao longo do ano.

Vermelho não é de todo uma das minhas cores de eleição, mas adoro vê-lo salpicado por todo o lado nesta época. O Natal aos meus olhos veste-se de vermelho e verde com respingos de dourado.

Adoro o cheiro do Natal. O Natal cheira a canela, não há nada que eu mais goste do que comer a primeira rabanada quentinha embebida em leite adocicado e envolta numa espécie de areia de canela e açúcar. O Natal é leite creme, aletria e queijo da serra com pão de ló.

Eu acho que adoro mais os preparativos, a expectativa, a paz do antes, do que a azáfama do durante e a leve sensação de vazio do depois. Por isso é que eu gosto de fazer a árvore a meio de novembro, mas dificilmente gosto de a ver semi-nua, sem os embrulhos, a dar o salto para o novo ano.

E este ano com um espírito mais leve que já não tinha há mais de 15 anos, sem o fantasma da dieta de braço dado com o fantasma da compulsão que atacava à mínima distração da dieta, num arrependimento sem fim. Este ano não.

A minha filha há dias dizia-me 'O Natal não tem a mesma magia que tinha antes' ao que eu respondia 'O Natal é igual, nós é que o sentimos de maneira diferente à medida que vamos crescendo'

Mas ele não precisa de perder a magia, ela está sempre dentro de nós, mais ou menos adormecida, cabe-nos a nós reavivarmos a nossa chama tão viva da infância.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Do outro tipo de leveza


Houve uma altura da minha vida em que eu tinha medo de me pesar. Era novinha, alimentação saudável eram duas palavras que não caminhavam juntas no meu vocabulário e eu comia mesmo muita porcaria. Tinha medo que aquele objeto inerte tão poderoso me fosse gritar um número astronómico que eu não queria conhecer.

Até que subi em cima dela, odiei o grito que ela deu e resolvi dedicar a minha vida a subtrair dígitos àquele número hediondo.

Ela era o centro do meu mundo. Era a pensar nela que eu recusava os meus amados docinhos e que me entupia de legumes deslavados, mas saudáveis. Era ela que de manhã determinava se naquele dia eu tinha permissão para me sentir orgulhosa de mim ou se pelo contrário, devia sentir-me uma fraude por não ter conseguido reduzir uns gramas a este corpo parvo, porque eu teimava em reduzi-lo a um tamanho onde ele não se sentia confortável.

Ela dominava o meu mundo. Muitas vezes gritava-me mais do que uma vez por dia. Eu estava completamente dominada por aquele objeto estupidificante.

Foram várias as vezes que a tirei literalmente de casa para não ceder ao fascínio de ir mais uma vez medir o meu valor nela. Tomar a decisão de me afastar dela e realmente manter-me afastada foi das coisas mais difíceis que fiz neste processo.

O meu medo era só voltar a ser a pessoa descontrolada que fui na adolescência e que só a balança me iria conseguir policiar.

Só que não.

Deixei de me pesar regularmente há cerca de meio ano. Neste período cedi à tentação duas vezes e sinceramente agora não acho que acrescente nada à minha vida.

A Sweet dos 40 não tem nada a ver com a Sweet dos 20. A dos 20 temia o número da balança, a dos 40 está-se nas tintas para o número da balança. Ela já não mede o meu valor, porque eu sou um todo, um conjunto de coisas boas e menos boas e não somente um corpo que ocupa mais ou menos espaço no mundo.

Quando me afastei dela e me dei permissão para deixar de rotular os alimentos como bons e maus (leia-se saudáveis e não saudáveis) e passar a olhar para todos simplesmente como alimentos, sem restrições, confesso que o meu corpo desejou os menos saudáveis durante uns tempos. Isto porque eu passei tanto tempo a restringi-los que ele quis aproveitar enquanto podia. Só que agora o meu corpo já percebeu que pode sempre e por isso é que a caixa de Ferreros que comprei na segunda feira ainda está intacta, porque sabendo que posso comer sempre que me apetecer, acaba simplesmente por não me apetecer. E se hoje me apetece almoçar uma sopinha, vou fazê-lo com prazer e não como obrigação. E o mais engraçado é que sinto mesmo o meu corpo a balancear as coisas, noto que estou a comer em menor quantidade e maior variedade do que antes.

E é este o tipo de leveza que o body positivity me trouxe: a liberdade!

O facto de deixar de lutar com o meu corpo e ter a minha mente e o meu corpo a fazerem as pazes e a deixarem de puxar a corda um para cada lado, numa luta permanente.

O facto de me sentir bem comigo mesma sem ligar aos estereótipos impostos pela gigante indústria da beleza.

Não tenho uma barriga lisinha, mas tenho uma curvinha fofinha e gosto dela. Ela conta a mais bonita história de amor de sempre, a do nascimento da minha filhota. Todas as minhas estrias e os meus pneuzinhos contam a minha história, só me posso orgulhar dela.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Da leveza


Casei há 19 anos e mobilamos logo a nossa casa toda. Não havia Ikea, as mobílias queriam-se robustas para durar uma vida (os meus avós dormem na mesma cama há quase 70 anos!) e as nossas vieram de Paços de Ferreira já num estilo moderno para a época. Há uns 10 anos tiramos a parte que cobria a TV e mudamos os puxadores com o intuito de a adaptar aos nossos gostos que entretanto foram mudando. 
Da cristaleira, desfizemo-nos da parte de cima e ficamos só com a parte do aparador para tentar suavizar a sala. 

AAhhhh! Estou fartinha destes monos, mas foram tão caros, e ainda estão em tão bom estado, é uma pena... o que é que lhe fazíamos?!... 

Finalmente tomamos a decisão. Felizmente estamos numa fase confortável da nossa vida, oferecemos este móvel mais a cristaleira aos meus sogros e aventurei-me a construir os meus móveis no sistema Besta do Ikea. 

São leves, são modernos e são totalmente personalizados ao meu gosto, às minhas necessidades e ao espaço que tenho disponível. É preciso mais uma prateleira? É só dar lá um saltinho. Estou farta destas portas? Posso trocar só a porta mantendo toda a estrutura. Aqui preciso de duas gavetas em vez de uma porta? Já lá vou! 



A sala ganhou uma leveza incrível! Confesso que não foi amor à primeira vista, nas primeiras horas achava que tinha feito uma grande asneira, de tão habituada que estava aos outros. Mas agora estou completamente rendida. Sinto o estilo leve e simples como me sinto eu própria leve, livre de um fardo nas minhas costas nesta minha nova fase.

Não vai ser mobília para a vida toda? Não! Mas também não é isso que eu quero. Os nossos gostos mudam, a nossa vida muda porque é que devemos ficar presos a coisas que já não nos fazem felizes, se temos hipóteses de renovar?

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Filhota #2


A filhota criou um grupo no WhatsApp com ela o hubby e eu a que chamou Família linda. Fiquei comovida com a doçura.

Eu já disse que ela tem 16 anos? E que está supostamente a atravessar a célebre idade da estupidez? Muito ao de leve, felizmente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Afinal...


... correu bastante bem. Fui com a mente aberta e com ideia de comprar pelo menos um par de calças. Sempre que via umas que gostava pegava no que eu achava ser o meu tamanho e no acima e posso dizer-vos que dos 16 pares que levei para o provador saí de lá satisfeitíssima com 2 pares.

Entrei no provador com calma e com tempo e dei-me ao trabalho de vestir em condições todos os pares. É que dantes, às vezes custavam a subir e eu, frustrada e irritada desistia logo. Hoje não. Saltinho daqui, puxãozinho de acolá experimentei todas em condições e as que mais me agradaram experimentei 2 vezes e nos 2 tamanhos diferentes.

E o mais engraçado é que as cinza que são mais justas são o 44 e as de ganga mais largas estilo boyfriend são o 46, coisa que nem me importei porque na realidade sentia-me muito melhor com elas. Ainda queria trazer outras, mas não tinha o tamanho que eu queria, mas vou procurar noutra loja. Importante é depois de decidir que gosto e ficam bem, experimentar com os sapatos e ver no espelho ao longe em vez de tentar fugir do provador a 7 pés! A diferença é abismal!

Lição a tirar daqui: quando uma pessoa vai de pé atrás e contrariada, é meio caminho andado para não dar bom resultado. Mente leve e focada no self-care fez milagres!

Bónus: as calças de ganga têm uns pequenos rasgões, coisa que eu sempre quis mas que nunca tinha encontrado que me enchessem as medidas e como cereja no topo do bolo, estavam com 50% de desconto :D

Decidi fazer as pazes com o processo e não o usar como medida do valor do meu corpo. Está maior? Sei que sim, mas eu tenho de o mimar mesmo assim e nada melhor do que o brindar com uns trapitos novos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Medos irracionais


Conhecem alguém que tenha medo de comprar roupa?
Não?...
Muito prazer! Eu!

Se eu contar a alguém que ando sempre de calças de ganga e que rodo 2 pares um ano inteiro, as pessoas chamam-me tolinha.

Na 6ª feira um dos pares rasgou irremediavelmente e fui à Salsa comprar outro. Ontem o segundo par que andava a uso também RIP... Ou seja, as novas só estão prontas hoje então aqui a Sweet veio trabalhar de calças fininhas de Verão pretas (por acaso disfarçam bem).

Antigamente se gastasse 20€ num par de calças era muito, até que descobri a Salsa e a Tiffosi com o sistema double up que faz uma barriguinha mais lisinha e um rabinho maravilhoso. Mas 80€ por um parzinho de calças é coisa para me dar calores, mesmo em alturas mais abastadas. Depois eles também não têm uma coleção assim tão diversificada.

Portanto, tendo em conta o meu fraquíssimo guarda roupa e antes que o hubby me dê cabo da cabeça, vou aventurar-me na C&A à procura de calças sem ser ganga e de cores variadas tipo um bordeauzinho ou cinza, castanhas, sei lá...

As minhas pernas são a minha zona mais problemática, são gordinhas mesmo desde o tornozelo e com a anca larga, normalmente caem mal na cintura (o que não acontece na Salsa).

Outra coisa é que como eu sei que engordei, não vou poder deixar que os tamanhos da roupa desencadeem sentimentos menos bons pelo meu corpo. Tenho de me mentalizar que não é o meu corpo que não cabe em certas roupas por estar errado. Há simplesmente certas roupas que não foram feitas para ficarem bem no meu corpo.

Comprar roupa sempre foi um tormento para mim, ora porque não servia, ora porque não havia tamanho, ora porque não ficava bem, ora porque as luzes e os espelhos dos provadores são horriveis ... um verdadeiro suplicio.

Espero que o dia de hoje não desperte esses sentimento de low self love em mim como dantes.