domingo, 25 de novembro de 2018

Eu primeiro!


Há dias em que as tarefas se amontoam e o stress toma conta de mim.

São aqueles dias lá no trabalho em que toda a gente pede tudo ao mesmo tempo e é tudo muito urgente, a minha cabeça entra num redemoinho, eu perco logo o foco e rendo-me ao stress.

São aqueles fins-de-semana em que além das tarefas normais ainda há trabalhos extra e estudos onde ajudar e mais afazeres que me afastam do meu precioso Me-time, mais uma vez eu perco o foco e rendo-me ao stress.

Sendo que o meu foco é o meu bem estar.

É o tempo que eu preciso para me colocar a mim em primeiro lugar, para ler os meus textos inspiradores que me estão a ajudar a moldar toda esta nova linha de pensamento, o tempo para estar sozinha com os meus pensamentos.

São os breves minutos que me levam a colocar-me a mim em primeiro lugar ao ir fazer um chá e relaxar um pouco em vez de responder freneticamente a meia dúzia de e-mails.

É o tempo que necessito para fazer uma passagem pelos posts inspiradores de algumas miúdas fantásticas que me fizeram ver a minha vida de uma perspetiva absolutamente nova.

São os 5 minutos que eu preciso para parar, respirar e acalmar em vez de atacar a caixa do chocolate, como era o meu escape antigamente.

É o facto de eu agora ter a consciência de que preciso de parar um pouco e voltar a focar-me em mim. E mais importante ainda, é o facto de eu agora já conseguir reconhecer de imediato as situações quando isso acontece.

Parar. Respirar. Prosseguir.


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Chegar aqui é maravilhoso



- Não sais da mesa enquanto não comeres tudo o que tens no prato!

- Come mais, senão vai para o lixo... 

- Comeste pouco! Não gostaste?! Deixa que eu sirvo-te mais um bocadinho... *comes mesmo sem vontade*

- Devemos comer de 3 em 3 horas, cerca de 5 a 6 vezes ao dia para termos uma alimentação saudável. 

E nós comemos. Mais automaticamente por ser hora de, ou por temos de, do que por vontade mesmo, sem escutarmos minimamente as necessidades do nosso corpo. Para mim, foram anos e anos disto!

Desde que comecei a deixar a mentalidade de dieta, comecei a sentir a liberdade da comida. O que significa que não há nem alimentos nem quantidades proibidos.

Na prática, isto leva a que no início o nosso corpo tenha algumas compulsões (no meu caso foi mais em doces). Afinal foram tantos anos de restrição que o corpo deixou de confiar na minha mente, então mal vê uma oportunidade, come. É simples assim.

Ora, a parte menos boa desta fase é que normalmente a pessoa ganha peso, assusta-se, pensa que não se vai conseguir controlar nunca mais em toda a sua vida e volta à mentalidade de dieta, o local seguro onde já esteve anos a fio.

Se ao menos a pessoa superasse esse medo e continuasse em frente, veria que a fase seguinte - a liberdade da comida - é libertadora e o melhor que lhe podia acontecer.

Isto  é quase come se fosse uma lata de refrigerante. Se a abanarmos muito, quando a abrimos sai uma grande quantidade em esguicho, mas depois para, estabiliza. Aqui acontece o mesmo. Quando o corpo se apercebe que pode voltar a confiar na mente, que ela não vai mais colocá-lo em modo de fome, tudo estabiliza e as compulsões desaparecem.

Não, não nos vai apetecer comer chocolate 24 horas por dia, 7 dias por semana. Depois deixa simplesmente de apetecer, porque quando apetece sabemos que temos a liberdade de o ter de imediato, sem esperar por aquele 'dia da asneira' .

Eu sei que ganhei peso nestes 6 meses - não sei quanto, nem faço questão de saber - mas finalmente a minha mente está a começar a escutar as necessidades do meu corpo.

Anos e anos a forçar-me a comer de 3 em 3 horas levaram a que eu comesse automaticamente àquela hora, quer tivesse fome ou não. Era hora de comer, pronto!

Agora que o escuto, vejo que estou aos poucos a reduzir a dose. Ainda ontem deixei quase metade da comida no prato. Servi-me da dose normal, mas a meio percebi que não tinha mais fome e parei. Só!

Chama-se a isto alimentação intuitiva e adoro já estar a entrar na 3ª fase.

É uma aprendizagem imediata? Nem pensar! Eu demorei cerca de 6 meses a chegar aqui. Há quem demore mais, há quem demore menos, depende da relação que cada um tem com a comida.

Mas a liberade que sinto é fantástica! E estou radiante de não me ter assustado e voltado para o 'local seguro' da mentalidade das dietas.


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E cá estou eu


Estou neste preciso momento com a filhota em Madrid, na fila à espera para entrar no Wizink Center para vermos os 5 Seconds of Summer.

Há inúmeras coisas que nos unem, uma delas é a música. E como eu não deixo que me digam so que devo ou não gostar, adoro a música destes putos que vi amadurecer.

Eu. Sozinha com a filha. Eu. Como a adulta responsável em Madrid. Nunca tal poderia ter imaginado. Eu. A insegura...

Tenho muito o que agradecer ao body positive, mas esta é sem dúvida uma das maiores: não deixar de viver momentos felizes por causa das minhas inseguranças.

Só por isto, por este sentimento de poder, já valeu bem a pena!

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Fazer as pazes


No início da semana senti que estava finalmente pronta para fazer as pazes com o exercício. Seis meses foi o tempo que a minha mente achou necessário para se curar de todas as vezes que eu castiguei o meu corpo com exercícios que odiava com o único propósito de tentar perder uns gramas.

Organizada que sou, senti a necessidade de programar o que iria fazer e cumprir sem stresses. Decidi começar com 30 minutos de biggest loser 3 vezes por semana yoga, braços e corpo inteiro a fazer na 2ª, 4ª e 6ª de manhã antes de ir trabalhar.

Ora bem... estou mesmo muito fora de forma!

Trabalhei músculos que nem sabia que existiam e fiquei toda dorida. Tanto que ontem à tarde, passou-me pela cabeça baldar-me hoje de manhã só de pensar em deixar o ninho do edredão quentinho meia hora mais cedo. E mesmo hoje de manhã ainda na morrinha passou-me pela cabeça continuar abafadinha e fazer o exercício à noite... mas decidi não adiar. E esta parte sim, é um grande passo. Levantei-me sem esforço nem contrariada, e fiz os 30 minutos de corpo inteiro. No fim, senti-me bem. Senti que estou a começar a desenferrujar o meu corpo porque ele estava perro e uma pessoa já não vai para nova.

Esta coisa de me mexer como recompensa e como necessidade em vez de ser por punição e obrigação é mesmo uma lufada de ar fresco na minha vida e um grande passo no meu bem estar.

Nem a propósito, a minha mentora fala precisamente deste assunto no post de hoje:

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Filhota #1

Mãe: O teu pai esta noite sonhou que tu tinhas morrido
Eu: Ótimo, é sinal de muita saúde
Filha: Ó Tite, não digas uma coisa dessas, a mãe não pode morrer, eu vou morrer primeiro do que ela.
Eu (super-comovida): Espero que não filha, essa não é a lei natural das coisas.

Eu sei que a relação que temos é única, mas nunca imaginei que ela não se quisesse imaginar sequer no mundo sem mim. É de salientar que ela tem 16 anos e está em plena fase da estupidez (que está a passar ao lado, para já pelo menos) a minha adolescente maravilhosa.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

É assim que funciona

Ah, mas então essa cena da alimentação intuitiva é só uma desculpa para se passar a vida a comer porcarias? 

Não  não é!

Claro que ao te dares liberdade para comer tudo, é natural que nos primeiros tempos abuses um bocado. É tipo cuméquié?! Posso comer tudo o que quero, quando quero?! Bora lá, então...

Mas a novidade passa e o corpo - ou melhor, a mente - que se começa a aperceber que tem tudo à disposição sempre que quiser sem peso na consciência, começa finalmente a confiar em nós e deixa de querer abusar. 

Quem disse que o fruto proibido é o mais apetecido estava coberto de razão! 

Hoje, por exemplo, dia de Dragão = jantar só para mim e para a filhota = invenções. E o que me apeteceu foi pasta de abacate com lima, ovos estrelados, requeijão e pãozinho. 

O aspeto não é o melhor, mas soube-me pela vida! 

O jantar até podia ser uma bela pizza com queijinho derretido a fugir pelas bordas, mas simplesmente não foi isso o que me apeteceu.

O nosso corpo é uma máquina perfeita que temos de reprogramar as vezes que forem necessárias para nos sentirmos bem. E se por vezes me questiono se tomei a decisão certa ao abraçar este estilo de vida, são estas pequenas conquistas que me mostram que sim, sem dúvida nenhuma estou no caminho certo!

domingo, 4 de novembro de 2018

Estou pronta


Já faz 6 meses desde que abracei a corrente do body positivity e deixei toda uma vida de cultura restritiva da indústria das dietas.

Desde aí, conta-se pelos dedos de uma mão as vezes que me devo ter pesado. E se ao início era tão difícil que tive de despachar a balança para a garagem, agora ela está ali quietinha numa gaveta sem que me apeteça minimamente subir-lhe para cima. O foco no parvo do número desapareceu!

Ao mesmo tempo tinha desaparecido por completo a minha vontade de mexer o corpo. Antes o exercício era alimentado pela vontade de perder 100gr que fosse ou mesmo como forma de punição pelos pecados da gula. Era um martírio para o corpo, mas ainda mais para a mente mexer o corpo balofo. Ai comeste aquela fatia de bolo?! Como castigo tens de fazer 100 agachamentos! Era mais ou menos este o diálogo na minha cabeça...

O body positive trouxe-me a paz de espírito que me levou finalmente a dizer BASTA! a este tipo de diálogo interior e o pouco exercício que eu fazia, parou quase por completo, exceção feita a algumas caminhadas com a família em amena cavaqueira e felicidade.

Mas o meu corpo é inteligente e começa a querer fazer as pazes comigo. Começa a ter novamente confiança em mim e começa a pedir um pouco de exercício. Desta vez tendo como foco o prazer que vou sentir no fim e as endorfinas que vão ser libertadas. O exercício pelo prazer em vez do exercício como punição.

Ele pede e eu vou dar!

O tempo não abunda, mas eu consigo arranjar meia horinha 2 ou 3 vezes por semana para este Me time.

Para já vou tirar o pó à wii e ao biggest loser challenge que tem vários tipos de exercícios desde yoga a pernas ou braços ou o corpo todo em diferentes intensidades. Tenho de me levantar uns 15 minutinhos mais cedo, mas vai ser por uma boa causa e o mais importante, no timing certo, sem pressões.