quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Depois da tempestade vem a bonança... sempre!


Confesso que o que se passou anteontem mexeu muito comigo. Senti-me enxovalhada e humilhada. O hubby queria fazer uma queixa, mas muito sinceramente nunca mais quero ver aquela gaja na vida e muito menos trocar mais uma palavra com ela.

Toda a situação ficou a ecoar na minha cabeça… e ontem ainda me sentia muito sensível e triste. Já há muito que não me sentia assim. Na realidade já não me sentia assim desde que acabei com a ditadura da balança, era aquele sentimento de falhanço que tinha regularmente e que tinha desaparecido totalmente depois que me libertei dela.

Olhei para dentro de mim.
Já perdi 30Kg. 
Passei por imensas fases para isso acontecer. Altos e baixos. Dietas restritivas e momentos de puro descontrolo. Alegria por um número na balança e ódio intenso pelo mesmo número na semana seguinte. Sentimentos de euforia e de obsessão. Um sacrifício imenso para manter o corpo mais pequeno do que ele foi talhado para ser. Uma autêntica montanha russa de emoções com a companhia permanente do ódio por este corpo.
E depois descobri toda uma comunidade dedicada ao body positivity e à aceitação do corpo que temos. Saber que havia mais pessoas com o mesmo tipo de corpo que eu tenho e que se amam como são?? Nem sequer sabia que isso era possível! Mas pareceu-me incrível e alinhei! 
O sentimento de liberdade é incrível!
E assim, aos poucos, os 30Kg voltaram. Todos. Com a diferença que eu agora estava feliz.

A ideia por detrás do body positivity é aceitarmos o nosso corpo e olhar para ele com amor. 
Em vez de odiar as coxas rechonchudas, agradecer por elas nos levarem a tantos sítios. 
Em vez de abominar a barriga flácida, agradecer por ela ter abrigado um ou mais bebés. 
É saber que apesar de não haver alimentos proibidos, há obviamente alguns que só podemos consumir moderadamente, ter isso em mente e nutrir o nosso corpo convenientemente porque o amamos.
E foi aqui que eu me espalhei. 

É perfeitamente normal que uma pessoa que passe muito tempo em dieta a restringir isto e aquilo, depois tenha de ir até ao outro lado do espectro e comer demais, principalmente do que mais restringiu. É o nosso corpo a testar-nos. É ele a ver se vai mesmo poder confiar em nós ou quando é que vamos tirar-lhe o tapete e obriga-lo a entrar de novo em restrição.

Mas, nalguma altura temos de voltar ao ponto central, àquele ponto minúsculo de equilíbrio e que é a chave de tudo na vida.

Portanto eu quero voltar a olhar para dentro de mim e corrigir os excessos que estou a cometer. 
Não quero fazer dieta, não quero comer só uma sopa à noite, nem comer doces só uma vez por semana.
Mas quero voltar a alimentar o meu corpo come ele merece. E isso significa dar mais primazia a legumes sim por exemplo, sem excluir uma pizza, mas mais de vez em quando. Ou lanchar um pãozinho e uma peça de fruta em vez de meia dúzia de bolachas recheadas.
Concentrar-me mais nos alimentos que fazem bem ao meu corpo em vez de consumir só os que sabem bem ao paladar. Mas tudo com o tão querido equilíbrio.

Isto tudo para dizer: Não, senhora doutora, não vou só comer uma sopa ao jantar para ver o número da balança a baixar. Vou procurar o equilíbrio que nunca consegui encontrar agora que já estive nos dois laos do espectro: o da restrição e o do excesso. Podes confiar em mim corpo, não te vou mais fazer passar fome, mas também não te vou mais sobrecarregar com açúcares e gorduras.

É o equilíbrio que procuramos. Não pelo número que marcava naquela balança, mas porque o meu corpo merece que eu o trate como o herói que ele é. 

Nunca mais te vou odiar… Prometo.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Senti-me profundamente discriminada


No início do ano fui a uma consulta de Medicina Geral no Hospital de Alfena queixar-me de umas dores que tinha num braço e que irradiava para a perto do pescoço. Na altura, a médica mandou-me fazer uns movimentos, pôs de lado a culpa do colchão ou da almofada, receitou-me uns comprimidos, disse que iria melhorar, mas se a dor voltasse seguiríamos para uns exames complementares. Fui bem tratada, como uma paciente qualquer. A dor passou e andei bem durante uns meses.

Ultimamente tenho tido novamente o início da dor e voltei à consulta desta vez com outra médica que estava de serviço. Mal descrevi o que sentia (tal como da primeira vez) a médica disse-me logo que o que devia era comer só sopa à noite e uma peça de fruta. Perguntou se eu fazia exercício e quando eu disse que fazia caminhadas dia sim dia não, disse logo Ah, mas devia fazer todos os dias! Independentemente do que eu dissesse nunca iria ser suficiente. Como estava a receber o meu silêncio como resposta, mudou um pouco a postura É claro que as pessoas magras também têm problemas de coluna, não é... Mas sabe que tem de fazer dieta, tem muito peso.

Aí não aguentei e tive de me defender do que estava a sentir como discriminação e disse Eu fiz dieta durante 20 anos e por causa disso desenvolvi problemas alimentares, uma obsessão e para bem da minha saúde mental desisti disso. Agora só preciso mesmo é de encontrar o ponto de equilíbrio.

Vamos lá a ver: Eu sei que tenho excesso de peso! Eu sei que eventualmente isso pode causar problemas de saúde! Mas esta estúpida não me examinou, limitou-se a atribuir o problema ao excesso de peso sem mais nenhum meio de diagnóstico.

E continuou: Tem feito análises? Consulta ginecológica? Citologia? Sim a tudo. Eu tomo conta da minha saúde! E as análises estão bem?! Fez aqui no hospital para eu dar uma vista de olhos? Por acaso não tinha feito lá, mas o meu colesterol nunca esteve tão bom na minha vida. Claro que estava tão intimidada que nem isso me lembrei de lhe dizer.

Se bem que eu também não tinha de lhe provar nada. Eu estava a ser alvo de discriminação por causa do meu peso, sem recurso a qualquer outro meio diagnóstico a não ser a estupidez e a insensibilidade desta pessoa.

A meio da consulta, e como eu estava basicamente a ignorar os seus sábios conselhos para perder peso - que não pedi - ela desistiu e resolveu focar-se em mandar-me fazer um raio-x e receitou-me medicação para as dores… vá lá...

Conclusão, vou tomar a medicação e vou na realidade fazer os raio-x, mas não volto a lá por os pés, nunca mais. Vou à primeira médica que me tratou como uma pessoa, olhou além do meu peso e tratou-me como eu merecia.

Não é a rebaixar as pessoas que que conseguem resultados. Se esta gaja soubesse os passos que me fez voltar atrás hoje, enfiava-se imediatamente num buraco.

domingo, 19 de julho de 2020

É disto mesmo que eu sinto falta


Não sinto falta das restrições, nem do ódio por mim e muito menos das desilusões na balança no final da semana.

Mas sinto falta da sensação segura de ter um objetivo. Do planeamento e do sentimento de dever cumprido. Sinto a falta disso.

Ontem foi um daqueles dias em que me sentia gorda (ainda há dias desses em que isso me afeta) e, num instante de sinceridade crua disparei para a minha filha:

- Que pernas tão gordas eu tenho...
- Se não te sentes bem, faz alguma coisa!
- Gostavas mais de mim se eu fosse mais magra?
- Não! Tu és muito mais do que isso. Aliás gosto mais de ti agora do que quando eras mais magra, és mais feliz agora.

E eu fiquei embevecida a olhar para ela. Eu sei que nem sequer deveria ter feito esta pergunta, até porque já sabia a resposta, mas saiu-me, pronto. E ela continuou:

- O nosso problema é que nós decidimos que vamos fazer coisas, fazemos duas vezes e desistimos. Por exemplo as segundas-feiras vegetarianas, as caminhadas, o levantar cedo ao sábado para caminhar na praia...

E ela tem razão. Desistimos ao fim de poucas vezes e eu culpo-me por isso. Afinal as refeições são por minha conta e acordá-los ao sábado também. É a minha veia sabotadora a funcionar desde sempre.

Desde o início do confinamento, já lá vão 4 meses, deixei de fazer o planeamento das refeições, porque estou maioritariamente em casa e baldo-me mais. Há mais refeições do desenrasca e mais frango no churrasco com batata frita.

As caminhadas também são facilmente sabotáveis com o "hoje não que estou cansada", ou o "hoje não que está calor" ou o "hoje não que está vento" ou mesmo o "vamos amanhã" e assim se vai marcando mais o nosso rabo no sofá e empurrando com a barriga um hábito saudável tanto para o corpo, como para a mente e até para o nosso relacionamento familiar.

E pronto. Mais uma lição que recebi desta pirralha que me conhece melhor do que ninguém neste mundo.

Resultado:

- Vou voltar ao planeamento das refeições semanais incluindo as segundas vegetarianas, as quintas de peixe e as sextas de sopa.

- Vamos voltar às caminhadas ao fim do dias e aos sábados de manhã à beira mar

- E já agora, voltar a beber 1,5l de água por dia fora das refeições em vez de aldrabar à farta.

Quem sabe se estes objetivos são suficientes para me trazer aquele gostinho bom de dever cumprido sem o gosto amargo que uma dieta invariavelmente traz.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Nem me acredito!!


Três meses e meio depois de ter vindo para casa em teletrabalho eis que... o patrão diz que é para continuar neste registo até ao final de stembro!!!!

Eu que estava convencidíssima que a partir de dia 1 ía voltar (com muito receio) ao escritório, fiquei nas nuvens!

Confesso que gosto de estar a trabalhar em casa. É que há dias em que trabalho das 9 às 18:30, o telefone não pára e os e-mails são seguidinhos, mas também há dias calmos que me permitem levantar da mesa da sala e passar ao sofá para ver um episódio de uma série, ou estender uma roupa ou tomar um belo banho. Gosto desta liberdade e ter este plano alargado - 3 meses - acaba por ser um sonho neste momento.

Agora que a preocupação com o covid está controlada para mim, é mesmo altura de me dedicar ao self-care. Quem sabe se não é desta que as rotinas se instalam.

domingo, 14 de junho de 2020

Como criar rotinas, alguém me explica?...

Ontem fomos às compras. Ao fim de algumas horas eu estava de rastos com dores nos pés (levei umas all star da feira), mas principalmente nas pernas e passei a noite com cãibras. E isso assustou-me. Se é assim aos 44, como será aos 60?

As minhas pernas sempre foram o meu maior problema. São gordinhas por todo, desde o tornozelo e repletas de celulite. Se antes eu as odiava e queria a todo o custo mudar a sua aparência (sofri horrores em sessões de mesoterapia), com o tempo aprendi a aceitá-las e a desligar o meu valor da aparência do meu corpo e delas também.

Mas uma coisa é eu fazer todo o percurso mental de aceitar o meu corpo, sentir-me grata pelas experiências que ele me proporciona e outra coisa é eu desleixar-me com ele. Ele merece que eu o trate com amor e com carinho e isso inclui o exercício físico.

Sim, eu abandonei as dietas.
Abandonei o ódio ao reflexo do espelho.
Abandonei a restrição de comidas de conforto.
Abandonei a escravatura da balança.
Abandonei a ligação do meu valor pessoal à minha aparência.

E sim, ganhei peso nesse processo. Bastante.
Mas também ganhei paz interior.
Ganhei um amor próprio que nem sabia que existia.
Ganhei alegria nas mais pequenas coisas.
O que eu não ganhei foi vontade de mexer o meu corpo.

Foram muitos anos a mexê-lo única e exclusivamente motivada pelo ódio à minha aparência e com o único propósito de o obrigar a diminuir de tamanho.

Não é esse o meu propósito agora. Não é minha intenção mexer-me para emagrecer, mas sim porque sinto a necessidade física disso. A minha resistência é nula neste momento e sinto que estou numa altura da vida crucial para abraçar uma rotina destas. Preciso muito. Pela minha saúde.

Não quero ginásios, nem PT's, nem grandes projetos. Quero começar aos pouquinhos mas regularmente. Pode ser uma caminhada, uns agachamentos, umas danças do youtube, subir escadas, ioga online...

O que eu quero é poder subir 2 lanços de escadas sem ficar a morrer, ou passear sem cãibras. Quero que por uma vez, esta vontade de me mexer venha de um sítio de amor por mim e não de ódio, porque é claro que eu sei que isto me faz falta e que é um princípio básico para uma vida saudável.

Mas como é que eu faço para ganhar a vontade de levantar o rabo do sofá ou da cama? Sou bem capaz de passar 2 ou 3 horas entre twitter, instagram, facebook, big brother, novelas... Não me passa pela cabeça desalapar e mexer-me um pouco?...

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Destes dias


 - Pois que continuo por casa em teletrabalho. Felizmente o meu patrão demonstra ser uma pessoa cautelosa e como o trabalho continua a ser feito na totalidade, manteve a modalidade até ao final do mês. Sei que vai ser muito difícil voltar a trabalhar fora de casa todos os dias quando acontecer, mas quero focar-me em sentir-me grata por ter estado estes últimos meses na segurança do meu lar e a acompanhar devidamente a minha filhota.

- A minha filha contou aos meus pais que tem uma namorada e eu fiquei super-orgulhosa dela, pela conversa adulta e pela maneira como a conduziu. Senti também orgulho pelos meus pais que, apesar de chocados e de terem de assimilar a situação, nem sequer puseram em causa o amor por ela e o apoio que continuam a dar-lhe. Passado uns dias contou à minha cunhada que também vive uma relação não assumida com uma rapariga. A minha filha está uma mulher e deixa-me orgulhosa todos os dias.

- Hoje fiz algo que já não fazia há muito. Pesei-me. Não o devia fazer, porque sei que é uma coisa que pode mexer muito comigo, mas a curiosidade foi grande e não resisti. Não sei se aumentei ou diminuí desde a última vez, mas julguei que pesasse mais. 

- Ando tão farta de cozinhar e de comidas, que há dias em que como mesmo muito pouco, porque não me apetece nada. Sei que devia comer mais legumes e fruta, mas não o tenho feito. Sei que devia beber muuuita mais água, mas também não o faço por pura preguiça. É como se o espaço livre na minha cabeça estivesse todo ocupado com as preocupações e angústias do que se passa no mundo e não tivesse espaço para olhar para dentro de mim. 

- Agora que a vida volta aos poucos a uma nova normalidade, já não estamos presos na nossa bolha, quero voltar a olhar para dentro de mim. Quero nutrir mais o meu corpo e hidrata-lo decentemente, como ele realmente merece. Também quero mexê-lo mais, ainda não sei como, mas um dia hei-de descobrir.

- Voltei a fazer unhas noutra menina, desta vez de gel em vez de imersão em pó e adorei. Além de ter pago quase metade do preço, ficou um trabalho muito perfeito e uma pessoa sente-se logo mais bonita e vaidosa. 

- Decidimos que vamos passar 15 dias de férias ao Algarve em agosto. Vamos para o apartamento particular para onde já vamos há alguns anos e o tipo de férias que costumamos fazer (sem restaurantes, sem noitadas e sem bares) é perfeitamente compatível com as restrições deste ano e sempre mudamos de ares. Refeições no terraço com vista para o mar aqui vamos nós!!

- Já nos juntamos com a minha família chegada e com a família chegada do hubby. Foi um longo tempo sem nos vermos, mas de ambas as vezes correu tudo muito bem, parece que o afastamento fez bem a toda a gente!

E tem sido assim, devagar, devagarinho vamos voltando às rotinas, sem esquecer as novas cautelas e sempre de máscara e desinfetante no bolso.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Tive um sonho


Esta noite tive um sonho super real. Sonhei que estava à conversa com uma blogger conhecida e estávamos a falar sobre alimentação e peso. E a conversa era mais ou menos isto:

Eu: Há uns anos atrás eu pesava 93kg e agora peso 97, pelo meio perdi mesmo muito peso, quase 30kg, mas o que é certo é que agora me sinto melhor do que me senti durante este percurso todo.

Ela, que é super apologista de uma alimentação equilibrada e muito saudável só me escutava e olhava com curiosidade.

Eu: Sabes, é que eu antes olhava para o espelho e só conseguia olhar para os meus defeitos, as mamas descaídas , a barriga proeminente, as pernas de elefante, o duplo queixo de avó... E agora não . Agora vejo um todo. Vejo a Lena. E não um conjunto de defeitos.

E acordei.

É verdade que devo pesar agora pelo menos tanto quanto pesava quando iniciei a minha jornada em 2003. Todo o peso que perdi, tornei a ganhar, se não mais, não faço ideia de quanto peso agora, deitei a balança fora como forma de self-care. Também não comecei o meu percurso com 93kg, foi com mais.

Muito sinceramente não me arrependo de ter voltado a ganhar o peso que perdi. Tudo o que sou hoje devo a tudo o que passei. Sei que não teria a mentalidade que tenho hoje se saltasse etapas.

Se gostava de ser mais magra? Claro que sim, mas isso vai ser somente um dos efeitos secundários do self-care e nunca mais a principal razão.

E tudo o que disse no sonho é no que estou a tentar focar-me. Sonhar com isto, num sonho tão vívido, só me faz acreditar que isto é algo que se está definitivamente a enraizar em mim. E desligar o meu valor do meu aspeto é tudo o que eu quero.

O meu subconsciente a mandar-me a mensagem que eu tento seguir na vida real é só poderoso