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domingo, 27 de dezembro de 2020

O que eu quero para 2021


Além dos desejos normais de saúde, paz, felicidade e alguns trocos para gastar, quero só continuar no meu caminho de amor próprio.

Sei que estou sempre a bater na mesma tecla e isto na realidade deve fazer pouco sentido para quem nunca enfrentou problemas de auto-aceitação, autoestima, problemas de peso e ódio pelo reflexo do espelho. 

Mas olha, todas as minhas vivências me trouxeram a este momento e posso dizer que nunca gostei tanto de mim como hoje. Consigo olhar-me no espelho e não odiar o que vejo. Consegui descolar o meu peso e o meu aspeto físico do meu valor como pessoa e consigo amar-me mais.

Neste novo ano adorava implementar alguns novos hábitos para me ajudar a atingir uma paz interior maior:

  • Começar aos poucos a fazer meditação - quem faz diz maravilhas e eu adorava ganhar esse hábito
  • Além da frase diária de self love começar também um diário de gratidão - focarmo-nos nos pequenos prazeres da vida leva-nos a relativizar os "problemas" do dia-a-dia
  • Começar a fazer ioga - sinto o meu corpo incrivelmente enferrujado e adorava ganhar mais flexibilidade 
  • Ter mais atenção à minha postura sentada ao computador ou no sofá - as minhas costas já reclamam de horas a fio curvada nas posições mais estranhas possíveis
  • Criar uma rotina noturna de cuidado da pele e incluir nessa meia horinha o tal diário de gratidão e self-love - é incrível como eu consigo procastrinar os cuidados com a minha pele e o journaling que me sabe tão bem
  • Ouvir mais o meu corpo e balancear os chocolatinhos que lhe dou com mais legumes e frutos 
  • Continuar as caminhadas em família que neste último mês foram interrompidas pela chuva e pelo confinamento - enquanto o meu esporão permitir pelo menos
  • Continuar a hidratar o meu corpo por dentro e por fora - estes dois hábitos já estão mais ou menos enraizados, é só continuar
Há dois dias atrás fiz uma coisa que não devia: pesei-me... e não gostei do que vi. Mais do que o número, o que me chateia são as dores nas pernas e nos pés que penso dever-se mesmo ao excesso de peso. Qualquer "dieta", ou antes, reeducação alimentar e física que faça, vai ter sempre em mente o amor pelo meu corpo, e não o ódio por ele. E isso é o que faz faz toda a diferença. 

Gostava de voltar a perder peso e espero que estes novos hábitos levem a isso, mas a perda de peso, a acontecer, não será o objetivo, mas sim um dano colateral. O grande objetivo vai ser criar hábitos que me façam sentir bem, que me elevem a paz de espírito e que me façam sentir mais ligada a mim própria.

Sei que para conseguir isso tenho de fazer um esforço monumental durante o mês de janeiro para manter o foco e entranhar estes hábitos. Estou confiante!!

Feliz 2021!!


terça-feira, 19 de maio de 2020

Tive um sonho


Esta noite tive um sonho super real. Sonhei que estava à conversa com uma blogger conhecida e estávamos a falar sobre alimentação e peso. E a conversa era mais ou menos isto:

Eu: Há uns anos atrás eu pesava 93kg e agora peso 97, pelo meio perdi mesmo muito peso, quase 30kg, mas o que é certo é que agora me sinto melhor do que me senti durante este percurso todo.

Ela, que é super apologista de uma alimentação equilibrada e muito saudável só me escutava e olhava com curiosidade.

Eu: Sabes, é que eu antes olhava para o espelho e só conseguia olhar para os meus defeitos, as mamas descaídas , a barriga proeminente, as pernas de elefante, o duplo queixo de avó... E agora não . Agora vejo um todo. Vejo a Lena. E não um conjunto de defeitos.

E acordei.

É verdade que devo pesar agora pelo menos tanto quanto pesava quando iniciei a minha jornada em 2003. Todo o peso que perdi, tornei a ganhar, se não mais, não faço ideia de quanto peso agora, deitei a balança fora como forma de self-care. Também não comecei o meu percurso com 93kg, foi com mais.

Muito sinceramente não me arrependo de ter voltado a ganhar o peso que perdi. Tudo o que sou hoje devo a tudo o que passei. Sei que não teria a mentalidade que tenho hoje se saltasse etapas.

Se gostava de ser mais magra? Claro que sim, mas isso vai ser somente um dos efeitos secundários do self-care e nunca mais a principal razão.

E tudo o que disse no sonho é no que estou a tentar focar-me. Sonhar com isto, num sonho tão vívido, só me faz acreditar que isto é algo que se está definitivamente a enraizar em mim. E desligar o meu valor do meu aspeto é tudo o que eu quero.

O meu subconsciente a mandar-me a mensagem que eu tento seguir na vida real é só poderoso

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Hoje foi um dia bom


O hubby foi trabalhar, fui só eu e a filha hoje. Ela, que é uma night-person, pediu para não a acordar, nem para almoçar.

Choveu a noite toda e grande parte da manhã.

Acordei às 8:00 como de costume, fui fazer cereais para o pequeno almoço e colocar uma máscara de óleo de coco na cabeça. Tenho usado um champô para cabelos oleosos que me deixa o cabelo limpinho, mas o couro cabeludo seco e cria um pouco de caspa.

Voltei para a cama e vagueei um pouco pelo instagram, pelo twitter e pelo facebook.

Enchi-me do telemóvel e resolvi por em prática uma coisa que quero tentar este mês : Meditação. Pus o temporizador durante 5 minutos, sentei-me, fechei os olhos e concentrei-me na minha respiração mais profunda. Só eu, o silêncio, o burburinho da chuva e o piar dos periquitos. Não sei se fiz a coisa bem ou mal, mas soube-me bem este bocadinho.

Fui tomar um belo banho demorado e tirar bem a máscara do cabelo.

Fui para a sala apetrechada com os meus cremes e passei-os no corpo todo enquanto via um episódio da minha série do coração "Era uma vez". Gosto tanto!

A filha ainda dormia, fui fazer o meu almoço e voltei para a sala para ver mais um episódio enquanto comia uma comidinha de conforto.

A Bia acordou e enquanto almoçava, vimos os vlogs de que ela gosta enquanto eu jogava um joguinho no telemóvel de renovações de casas em que estou viciadíssima.

A casa precisava de ser limpa e aspirada, mas hoje não nos apeteceu, portanto, não fizemos nada de tarefas.

Passamos parte da tarde a fazer puzzles e legos 😀. Perguntei-lhe: ainda gostas de fazer estas coisas comigo? Diz ela: acho que até brincava com as bonecas, se me apetecesse 😁

Fomos para o quarto dela e ela pôs-se a arrumar gavetas de tralhas enquanto conversávamos sobre tudo. Enquanto ela arrumava eu não me cansava de olhar para ela e pensar como é possível eu amá-la tanto assim. Ela é feliz, eu sinto isso. Temos a melhor relação do mundo e não há nada que eu quisesse mudar.

Hoje senti-me relaxada e, desde há muitos dias, em paz e serena. O facto de não ter visto notícias deve ter contribuído um pouco. E a meditação? Terá tido algum impacto? Não sei. Sei que gostei e quero criar o hábito e continuar. Parece que foi uma ajuda para me trazer de volta a terra e a concentrar-me mais em mim. Gostava começar assim aos poucos e ir vendo o que resulta para mim.



sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Por aqui...


* Já estou a trabalhar há cerca de duas semanas e apesar de ainda não ter tudo plenamente controlado, decididamente não me tenho deixado levar pelo stress e ainda continuo em estado zen-deixa andar-tem tempo...

* Ontem fui à última consulta de ortopedia e estou oficialmente curada. Diz que devo perder algum peso para evitar este tipo de problemas... Fazer caminhadas à farta e exercício à vontade, sem medos. Sim, preciso de recomeçar o exercício, sei disso. Estou super-enferrujada e sinto falta de me mexer. Quero fazer exercício pelo meu bem-estar. Emagrecer (caso aconteça) será só um bónus.

* No conceito do self-care, fui à ginecologista, fiz tudo incluindo mamografia e ecografia. Na mamografia foi detetada uma massa e foi pedida uma ressonância magnética para despistar algo mais grave. Felizmente o resultado foi benigno... Ufff...

* E hoje foi dia de comprar bilhetes para o espetáculo do ano. Depois de umas horas sofridas e desperdiçadas na ticketline, meti-me no carro e fui à Worten comprar os bilhetes para ver o Harry Styles em maio. Adoro as músicas do menino e admiro imenso a maneira dele estar na vida. Apesar de estar quase esgotado quando consegui finalmente ter acesso a bilhetes, acabei por conseguir ótimos lugares e andei nas nuvens o dia inteiro.

* A casa já está pronta para o Natal e não me arrependo nem um bocadinho por ser assim tão adiantada. As luzes da árvore a tremelicar, os bonequinhos do presépio, toda a atmosfera é tão aconchegante... Adoro!

E é isto...

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Do self-care


Ir ao cabeleireiro nunca foi para mim sinal de prazer, muito pelo contrário, é um verdadeiro sacrifício e vou lá sempre nas últimas. Já há algum tempo que ando insatisfeita com a minha que é a mesma há uma dúzia de anos. Ou não me faz as madeixas como peço, ou não faz o corte de cabelo que sabe que eu gosto para ver se lá vou mais vezes... Enfim...

Na semana passada, cheia de ver um corte que não gostava, passei-me da cabeça e cortei uns deditos a mim mesma... Escusado será dizer que ficou uma m&rda...

Ganhei coragem, e sem pensar muito entrei noutro salão aqui à beira de casa, contei as minhas peripécias (dignas de uma miúda de 5 anos, diga-se de passagem), mostrei uma foto do que gostava e entreguei-me nas mãos de uma perfeita desconhecida que cortou, cortou e tornou a cortar para acertar a cagadinha que eu fiz...

E valeu a pena a aposta em sangue novo. Cortou como eu queria e ainda fez bem mais barato do que a outra. Pela primeira vez em muitos anos, senti-me bem no salão, senti que estava a cuidar verdadeiramente de mim.

Aproveitando a onda do self-care, aventurei-me pela primeira vez na vida em manicure. As minhas unhas são extremamente pequenas e frágeis e eu achava que unhas arranjadas não era para mim. A conselho da manicure, lá fiz unhas de imersão em pó num rosa claro para me ir habituando. Ela diz que com o passar do tempo e com a manicure que ela vai fazer, eu vou vendo a base da unha a ficar maior.


Eu que em 43 anos fiz uma única manicure na vida... Porque achava que me ia ficar mal... Porque achava que não podia dedicar uma hora por mês a estas coisas... Porque achhava que não merecia...

Estou orgulhosa de mim e sinto uma leveza incrível!


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

The fuck it diet


É um verdadeiro abre-olhos!

É a ajuda necessária para fazermos o verdadeiro reset à nossa mente, de a limparmos, de voltar àquela altura da nossa vida em que comer era descomplicado, em que não estava poluída com centenas de regras ditadas por dezenas de dietas todas diferentes, mas com a restrição como base comum.


É o desmantelar de todas as centenas de regras com que somos constantemente bombardeados pela indústria da dieta.

É o desmistificar de mitos absurdos e substituí-los pela leveza da confiança no instinto primitivo do nosso corpo.

A liberdade da mente é indescritível e saber que nada é proibido é libertador.





sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Acabou-se!!...

Já há uns dias que me andas a enervar... Sim, tu. Tu que estás guardada na gaveta por baixo dos lençóis polares da menina. Já não te ligo... Já não mandas em mim.. Já não me gritas FALHADAAA!! quando me ponho em cima de ti.

Silenciei-te. Adormeci-te. Mas não te matei. Controlo-te ao me controlar para não ceder ao teu chamamento. Há algum tempo que não dou protagonismo. Mas continuas ali a dois passos de me fazeres sofrer se eu deixar.

Ou continuavas. Já lá não estás mais!

Peguei nos sacos do lixo e peguei em ti também para te guardar na garagem, mais longe de mim. Longe fisicamente, mas sabia que a corrente afetiva só esticava, não quebrava.

Chovia... O elevador parou no rés do chão... Fui levar os sacos ao contentor e tu foste comigo. Voltei para dentro para te esconder numa qualquer gaveta funda da garagem... A chuva continuou mais forte e eu quase que a ouvia a dizer DEITA-A FORA!!

Em vez da meia volta para a garagem, dei a meia volta para o contentor e atirei-te lá para dentro com a alma lavada. Subi as escadas a pé como há muito não o fazia com uma leveza no corpo e uma ainda maior na alma.

Fui tua prisioneira anos a fio! Deixava nas tuas mãos as minhas vitórias e os meus fracassos. Deixava que me dominasses o humor consoante o número que me mostravas todas as manhãs, despida de tudo e o mais vulnerável que me podia sentir.

Não o fazes mais. Não me interessa o que tu dizes. Nunca mais quero ser associada a um número.

Quero o meu bem estar. Quero o meu amor por mim em alta. Quero tratar-me com o amor que eu mereço. Quero os meus banhos quentinhos. Quero os meus cremes cheirosos. Quero a minha pele macia. Quero as minhas caminhadas com a minha música como companhia. Quero os meus bolinhos. Quero os abracinhos dos meus amores. O que eu não quero nunca mais é ser julgada, mais por mim própria do que por qualquer outro ser, pelo número que gritas!

Nunca. Mais.

Adeus balança

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Da slow living


Estou de baixa há quase um mês depois de três semaninhas de férias em família.

No início da baixa ainda tive a companhia da filhota que foi uma grandessíssima ajuda nos primeiros dias de recuperação. Depois ela voltou para a escola e fiquei com as manhãs todinhas para mim.

A minha vida tem-se dividido entre séries - estou completamente viciada na Era Uma Vez - fazer um almoço rápido para as duas e pastelar com ela no sofá durante a tarde, dar um jeito à casa e fazer um belo jamtar.

Esta semana larguei uma das muletas e já tenho permissão de conduzir. Aliás tenho permissão para fazer a vida totalmente normal, mas ando um bocadinho mais à vontade e fico com dores debaixo do pé. Tenho feito tudo direitinho e não é agora que vou abandalhar e forçar-me mais.

Na próxima semana vou a junta médica e espero que não impliquem comigo. Ainda não me sinto fisicamente bem o suficiente para fazer a vida toda normal fora de casa. Estou mortinha por voltar a ter a capacidade completa de fazer caminhadas, andar de bicicleta e passear à vontade, mas ainda não consigo e não o quero forçar.

Nesta slow living tenho seguido o intuitive eating a 100% e noto que como muito menos quantidade. Como o que me apetece e quando me apetece. Isto tanto pode significar uma peça de fruta como um bolo, é o que me apetece sem culpas. O que noto mesmo é que faço muito menos refeições e menos quantidade. Se me apetece só uma sopa ao almoço é isso que como e o chocolatinho que era quase item obrigatório deixou naturalmente de o ser.

Cortar amarras com as regras do mundo das dietas é libertador. E para isso estou convencida que o fator stress-free contribuiu em muito. Estou muito relaxada e nem me lembro de comer. Antes era capaz de estar constantemente a pensar em comida, no que podia, no que não devia, no que fazer para o almoço, para o lanche, para o jantar... Isso acabou e é mesmo libertador.

Espero conseguir manter este ritmo quando voltar ao trabalho. Agora vejo o buraco onde o stress me enfiou e estou a adorar sair a pouco e pouco dele.

sábado, 29 de junho de 2019

Do estado de espírito


Houve uma altura da minha vida em que eu simplesmente não me pesava. Não queria saber do peso, não me importava se comia mcdonalds 4 vezes por semana e mais porcarias no resto do tempo.

Houve uma altura da minha vida em que eu parei e me pesei. E assustei-me de tal modo que decidi mudar radicalmente de vida.

Começou uma vida de dieta, restrição e tormento da balança.

Houve alturas em que me pesava uma vez por semana ao sábado de manhã depois de uma semana de dieta rigorosa. Como só me ia pesar no sábado seguinte, o fim de semana era de abuso total, para voltar à restrição a cada 2a feira...

Houve alturas em que me pesava todos os dias "só para ver", de manhã e à noite, para "saber" como me tinha portado. Se o resultado tivesse sido bom, recompensava-me com um chocolatinho. Se tivesse sido mau, castigava-me mentalmente e culpava-me, o que muitas vezes levava a uma compulsão e comia à mesma o chocolate muitas vezes em maior quantidade...

Houve alturas em que comia essencialmente sopa ao almoço, restringia a comida "má" e odiava-me quando caía em tentação.

Até que chegou uma altura (há pouco mais de um ano) em que estava psicologicamente exausta deste bullying que me infligia a mim própria e para bem da minha saúde mental deixei as dietas, deixei as restrições, deixei o policiamento da balança e comecei só a viver com base na minha intuição. Foi como se tivesse tirado a rede de segurança por baixo de mim e tivesse só de passar a contar com o meu bom senso para manter o equilíbrio.

Obviamente engordei! Tinha passado uma década e meia a restringir e agora se eu dava liberdade ao meu corpo de fazer a escolha que ele quisesse, obviamente que os desejos seriam do que eu não lhe queria dar antes.

Mas...

A liberdade na cabeça é incrivel. Só por isso vale a pena. O facto de eu olhar no espelho e não odiar automaticamente o meu corpo, de me focar na beleza dele e não somente nos defeitos é libertador.

Às vezes sinto que perdi tanto tempo a odiar-me quando simplesmente poderia aceitar-me e sinto uma profunda tristeza por isso. Eu fui tão burra. Mas pronto, calculo que deva ter sido a curva de aprendizagem que eu tive mesmo de seguir para chegar onde estou agora.

Tudo isto para dizer que hoje voltei a pesar-me.

Tinha me pesado no início do mês e tinha decidido voltar a tentar perder algum peso, mas para me sentir melhor, com mais agilidade, já que me estava a sentir um pouco presa e limitada. Muito longe da mentalidade anterior de perder peso para ficar dentro do padrão que a sociedade definiu como standard mascarado de saudável.

Desta vez sem o tormento da balança, desta vez sem restrições, desta vez só a escutar o meu corpo e a balancear as refeições, o exercício, a hidratação e sobretudo o meu bem estar mental.

Portanto, pesei-me e, só a apostar no meu bem estar, perdi 1,3Kg.

Isto deixa-me feliz, não tanto pela perda de peso, mas porque significa que o meu corpo voltou a confiar em mim e sinto que já não me pede tanto aquelas comidas que eu antes lhe proibia. Ele agora tanto me pede um doce (normalmente um pouco de chocolate resolve o assunto) como me pede saladas e almoços semi-vegetarianos.

Eu sinto que cada vez posso confiar mais nele e finalmente agora estou pronta a encontrar o meu ponto de equilibrio que tanto buscava.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Voltei a pesar-me...


... e estranhamente sinto-me em paz.

Vi um número que pensei que nunca mais iria ver, mas em vez do ódio e desilusão habituais senti paz e que aquele era somente um número, que não tinha nada a ver comigo, com o meu valor como pessoa.

Eu sei que o peso tem aumentado porque eu ainda estou numa fase inicial, quer dizer, eu enganei o meu corpo durante tantos anos, lutei tanto contra ele, fazia-o crer que ele estava constantemente errado... Quando ele me dizia Tenho fome! eu calava-o com um copo de água... Quando ele me dizia Dá-me um bocadinho de chocolate! eu fingia que não o ouvia até ele ganhar e em vez de um quadradinho comia compulsivamente uma tablete inteira.

Hoje tenho no frigorífico meia dúzia de chocolates que a minha avó traz quando cá vem a casa. E estão lá há meses sem ninguém lhes tocar simplesmente porque a gula agora não anda descontrolada.

Se eu quero estar assim tão pesada? Claro que não!

Não é bom para mim, sinto-me pesada e limitada de movimentos. Quero mexer-me. Preciso de me começar a mexer. Mas porque quero cuidar do meu corpo. Porque o adoro! Porque é a minha primeira casa! E não porque o odeio e o quero encolher para os limites standardizados por uma sociedade dietista que ganha milhões à custa das nossas inseguranças.

Acima de tudo, estou imensamente feliz por finalmente conseguir não me afetar terrivelmente por aquele número.

O meu corpo merece melhor e esta é a minha tarefa: cuidar dele, nutri-lo devidamente e amá-lo. Não odiá-lo.

Se antes eu acreditava cegamente que só o conseguia mudar se o odiasse, agora só penso: WTF?! Se o amar o bastante, eventualmente ele vai mudar sim, para melhor!

God!!! Tanto tempo perdi eu a seguir o rebanho errado!

domingo, 21 de abril de 2019

Cansada

Às vezes sinto-me cansada de estar constantemente a trabalhar em mudar a minha mentalidade e deixar as tão enraizadas ideias de dieta. É um trabalho exaustivo e constante.

Às vezes arrependo-me de ter seguido o caminho da alimentação intuitiva. E se eu nunca encontrar o equilíbrio e só ganhar peso mais e mais?

Às vezes penso que nunca vou conseguir sair da fase do abuso pontual e começar a escutar a sério o meu corpo e finalmente balancear saudavelmente o que antigamente eu considerava alimentos permitidos e proibidos. Porque quando há uma aberta, os proibidos tornam-se os mais abusados.

Às vezes há coisas pequeninas que despoletam estes pensamentos e que me tiram o sono. Tipo uma foto por exemplo. Ou a respiração ofegante numa pequena e inofensiva subida de poucos metros.

Às vezes ainda me incomoda imaginar o  que será que os outros pensam de mim, do meu corpo, da imagem da minha família "coitadinhos, tão gordos e desleixados"... Será que alguém olha para nós e pensa isso?

Às vezes ainda penso que estou a fazer mal à minha saúde ao ter deixado as castrantes dietas, mesmo sabendo que as minhas análises clínicas estão com valores melhores do que nunca.

Às vezes acho que estou a reduzir os anos de vida saudável que terei para ver a minha filha criar a sua própria vida. Os meus e os do meu marido que também ganhou peso desde que eu abracei a alimentação intuitiva.

Às vezes penso quão mais fácil seria voltar ao cobertor aconchegante do controlo da balança e das rotinas restritas.

Isto porque eu só sei ser tudo ou nada. Raismaparta!

Estou aqui a sentir-me entupida de amêndoas e doces, quando na realidade não foi assim tanto que comi. Mas o facto de não ter andado a comer fruta nenhuma e muito poucos legumes deve ser um alerta do meu corpo. Eu ainda não os sei reconhecer e isso tira-me o sono. É 01:39 da manhã e eu aqui a tentar perceber o que sinto e porque me sinto assim.

Às vezes sinto falta da disciplina a que a dieta me obrigava. Não sinto falta da dieta em si, mas do planeamento. Eu funciono muito melhor com rotinas e neste momento sinto-me um pouco all-over-the place.

Não sinto falta do constante sentimento de culpa por não conseguir reduzir o meu corpo, mas sinto-me inchada e sei que me sinto melhor com menos peso e com mais mobilidade.

Eu afinal não quero mudar a minha trajetória, não quero ir novamente do 8 para o 80, mas quero corrigí-la.

Porque no final de contas, o  que interessa é como eu me sinto no meu corpo e neste momento sinto-me um pouco presa nele.

Mas eu não o consigo fazer sozinha, preciso da ajuda e compreensão dos meus. Preciso que eles me dêem a mão para caminharmos juntos e que puxem por mim. Só nos faz bem, a todos.


sexta-feira, 8 de março de 2019

Do self-care


Nos últimos tempos tenho acordado de manhã e para não cair na tentação de voltar a adormecer pego no telemóvel e faço a ronda pelo instagram. É errado, eu sei, mas rapidamente se tornou um vício!
Hoje decidi não o fazer. Fiquei só na ronha a espreguiçar-me longamente e a saborear o quentinho do ninho. Senti que me levantei mais calma, mais leve. Quero tornar isto um novo hábito!

Depois aproveitei o dia de sol e fui fazer uma caminhada à beira mar na hora do almoço, enquanto ouvia um podcast da fantástica Ownitbabe (vão lá ver como esta miúda é uma fonte inesgotável de inspiração). Faço 30km para ir e vir a Leça e 1h30 não é propriamente muito tempo, mas senti-me outra. Fui o tempo todo a respirar o ar do mar, a sentir a maravilha do sol a aquecer-me a cara ao mesmo tempo que o vento a arrefecia. Isto em vez de ir obcecada em fazer x km em y tempo para perder algumas calorias. Não! Foquei-me no que aquela caminhada estava a fazer à mente e não ao corpo.

Pode parecer pouco, mas esta pequena mudança no pensamento é uma enorme mudança na maneira como nos vemos e como encaramos a vida.

E sabe tão bem abrandar e escutarmos o nosso corpo...



terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Ontem não foi um dia bom...


Ou por ser segunda feira, ou por estar um dia frio e morrinhento, ou por causa da cabra da tpm, ou provavelmente por tudo isto junto, à medida que a manhã passava, sentia-me a afundar num poço de mau humor. Devo ter dito provavelmente uma dúzia de frases durante o dia todo.

Há dias assim, eu sei, permito-me senti-los e espero ansiosamente que passem porque, apesar de saber que são temporários e ocasionais, eu odeio sentir-me assim. Só quero que me deixem no meu canto, não preciso que andem de volta de mim nem que falem comigo. Só quero estar sossegada com a minha enorme manta de mau humor.

Sentir-me mergulhada em auto-comiseração dá-me sempre vontade de me entupir de doces. É como se "merecesse" um miminho para me animar. É estúpido, eu sei, parece que eu quero comer as minhas emoções, mas aconteceu uma coisa interessante, por acaso.

Comprei donuts. Eu adoro donuts daqueles simples, mas que nunca vêm sozinhos, vêm aos quatro. Ao almoço comi um. E depois comi outro. E parei porque me apercebi que estava a comer emocionalmente. Confesso que me apetecia comer mais, mas decidi não o fazer.

Antigamente o que acontecia era que eu teria comido os quatro (e mais se houvesse) e no fim ia sentir-me enjoada, envergonhada comigo própria e arrependida. Ontem não. Segui o meu dia, mais docinha, pelo menos, consciente que comi emocionalmente e que isso não ajudou em quase nada no meu mau humor, mas pelo menos soube-me bem e sem arrependimentos.

Nem à noite me passou. A nuvem negra ainda pairava em mim (estava difícil... ) e não me deitei sem malhar nos outros dois donuts.

Hoje é um novo dia, o sol já brilha um pouco lá fora e cá dentro e espero que o raio da nuvem tenha sido levada para longe.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Então pesei-me...

... e durante uns minutos, senti um verdadeiro turbilhão de emoções dentro de mim.

- OOhhhh!!!
- Podia ser pior...
- Mas ainda pensei que não fosse tanto...
- É oficial! Já ganhei 20 dos 30kg que perdi ao longo dos anos...
- Tenho de voltar às dietas e perder o raio deste peso...
- Mas para que é que eu deixei a dieta?!...
- Já te esqueceste do que andaste a sentir ao longo destes 9 meses?...
- Não, não esqueci. Mas valeu a pena? Valeu a pena desperdiçar o esforço que fiz durante 16 anos para perder peso?

Eu já sabia que a decisão de voltar a pesar-me me ia afetar. Só não sabia que as lágrimas me iam escorrer pela cara livremente sem eu as conseguir controlar. Como se viessem sem filtro mesmo cá de dentro.

Eu já sabia que ao escolher a liberdade do body positivity e da alimentação intuitiva e deixar de vez a vida das dietas, ia ter de aceitar o aumento de peso como contrapartida a tudo o que ganhei.

E o que é que eu ganhei neste percurso além do peso?

Ganhei liberdade
Ganhei uma grande dose de amor próprio
Ganhei umas férias despreocupadas
Aprendi que a comida é só comida, que não há comida boa, nem comida má e que tenho só de a balancear
Aprendi a caminhar de cabeça erguida (literalmente) e com confiança em mim
Aprendi que não me interessa a opinião que os outros possam ter sobre a minha figura
Aprendi que eu mereço ocupar o meu espaço no mundo
Aprendi que o meu valor não está intrinsecamente ligado ao número da balança
Aprendi que eu sou muito mais do que o meu corpo
Aprendi que o meu corpo ainda está confuso de tantos anos em que lutei contra ele.

Foram cerca de 16 anos a tentar encolhê-lo, a dar-lhe pistas confusas, a lutar contra ele. Obviamente que ele ainda não confia em mim. A maior parte das vezes ainda não consigo perceber quando é que tenho mesmo fome ou se como só por hábito. É ainda um trabalho em progresso.

E aqui estou eu. É este o momento. Estou na encruzilhada. Tenho à minha esquerda o caminho da dieta e à minha direita o caminho da alimentação intuitiva.

É nesta altura em que muita gente volta atrás ao que sempre conheceu toda a vida, ao que a grande indústria das dietas nos impõe. Eu percebo, já lá estive, sei o gozo que dá perder uns quilinhos, a sensação boa que é comprar umas calças do tamanho abaixo. Mas também me lembro das restrições e de como era dura comigo própria quando isso não acontecia.

Eu sei que o meu corpo vai encontrar o meio termo. E eu quero continuar a sentir a minha liberdade. A liberdade de me sentir bem no meu corpo. De olhar para o espelho e não odiar o que vejo. De falar para mim própria com gentileza. De me perdoar pelos meus erros. De gozar do prazer que a comida me dá. Quero passar a mexer mais o meu corpo, mas por me dar gozo, por gostar da sensação com que fico depois, não como castigo.

Quero a liberdade e quero amar-me ainda mais e isso sei que não vou conseguir pelo modo de vida restritivo da dieta, só pela alimentação intuitiva.

Mexeste comigo, balança, mas não me deitaste abaixo, nem me desviaste do meu caminho!


domingo, 20 de janeiro de 2019

Inspiração #2


Às vezes deparo-me com pensamentos que parecem ter mesmo saído do fundinho do meu ser. Não resisto e tenho de os passar para o meu caderninho de sentimentos ❤️

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

E cá estou eu


Estou neste preciso momento com a filhota em Madrid, na fila à espera para entrar no Wizink Center para vermos os 5 Seconds of Summer.

Há inúmeras coisas que nos unem, uma delas é a música. E como eu não deixo que me digam so que devo ou não gostar, adoro a música destes putos que vi amadurecer.

Eu. Sozinha com a filha. Eu. Como a adulta responsável em Madrid. Nunca tal poderia ter imaginado. Eu. A insegura...

Tenho muito o que agradecer ao body positive, mas esta é sem dúvida uma das maiores: não deixar de viver momentos felizes por causa das minhas inseguranças.

Só por isto, por este sentimento de poder, já valeu bem a pena!

sábado, 27 de outubro de 2018

A verdade


A indústria das dietas é uma fraude.

A indústria das dietas fatura milhões à conta das nossas inseguranças alimentadas por "factos" que eles próprios criam. As milhares de imagens perfeitas, de corpos e peles inatingíveis com que somos constantemente bombardeados, e que só são conseguidos pela magia do fotoshop, estão por todo o lado, muitas vezes impercetivelmente.

Mas, adivinhem lá: as dietas são feitas para falhar! Todas elas! Se houvesse alguma que resultasse, lá se ia a galinha dos ovos de ouro. Se toda a gente conseguisse atingir a "perfeição" (seja lá o que for para cada um), a mais lucrativa indústria mundial ia à falência. Goodbye, adios, the end!

Eles lucram com as nossas inseguranças e prometem-nos a perfeição em forma de cremes, pós, restrições, entre dezenas de novas mezinhas milagrosas e quando inevitavelmente a incrivel dieta da moda falha, a culpa é sempre da nossa força de vontade imprevisível e fraca.

Nós esfalfamo-nos para nos encolhermos a um tamanho que o nosso corpo não considera confortável (por isso é que luta contra nós) e para quê? Para encaixarmos num ideal que a sociedade definiu como aceitável. Passamos semanas, meses, anos em busca desse ideal de perfeição e para quê? As pouquíssimas pessoas que o conseguem, sentem o quê? Ah, finalmente consegui! Agora posso finalmente começar a viver e a ser feliz neste meu corpo perfeito... Não me parece.

E depois desse depois? Desgastam-se a lutar contra o seu próprio corpo para se manterem nesse mesmo peso, muitas vezes à custa dos pequenos prazeres  das pequenas felicidades. Mas para quê? Para quê viver num corpo mais pequeno à custa de sacrifícios constantes que sugam a nossa energia e a nossa alegria?

Não é mais simples aceitarmos o nosso corpo com todos os seus defeitos?
Não é mais simples aceitar que o nosso corpo está em permanente mudança ao longo da nossa vida e que é mesmo suposto ser assim?
Não é mais simples aproveitar os pequenos prazeres da vida diariamente sem sentimentos de culpa? Seja em forma de fatia de bolo, seja em forma de ronha entre os lençois em vez de uma sessão de exercício odiosa?
Não é melhor eu ser a minha melhor amiga, a minha maior fã do que ser a minha maior inimiga, a minha maior opositora?
Não é melhor eu tratar-me a mim própria com a maior das gentilezas do que com bruta rigidez?
Não é melhor a minha conversa interior ser positiva e agradável em vez de repleta de reprimendas e auto-humilhações?

Kindness! é a minha palavra. Tenho de me tratar a mim própria com gentileza em vez de me tratar negativamente.

Perder o medo de sair do rebanho, de me atrever a pensar fora da caixa e começar a por tudo isto em prática é um pouco assustador, confesso, mas também é de uma liberdade incrível!!

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Inspiração #1


À menina que existe dentro de ti...
És a tua melhor amiga?
Tens andado a tomar bem conta de ti?
Estás lá quando precisas de ti própria, quando precisas de chorar, quando precisas de celebrar?
Tens-te dado amor duro quando necessário e compaixão nas piores alturas?
Tens dito a ti própria que está tudo bem?
Tens-te amado o suficiente para que saibas que tu vales a pena?
O amor próprio começa quando fazemos as pazes com o nosso exterior e nos voltamos a encontrar com o nosso interior.
Tens uma menina dentro de ti que pecisa de amor?
- Allison Kimmey (vale muito a pena ler esra miúda)