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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Da nova mindset


Sinto que finalmente a minha mente está a trabalhar em conjunto com o meu corpo e não a lutarem entre si. E sabe tão bem!

Ontem à noite o jantar foi uma bela tábua de petiscos que incluía queijo, salame, ovos de codorniz cozidos, tomate cereja, rolinhos de fiambre, salsicha, morangos, tangerina, pão e umas pinças do mar (o único frito). Soube-nos a todos pela vida. Antigamente este tipo de tábuas incluía maioritariamente fritos e enchidos e nunca estas coisinhas mais leves. Uma bela troca para repetir garantidamente.

Hoje, depois de uma consulta médica, fomos almoçar ao shopping que a filhota já babava por uma sandes da Pans. Pedi a minha preferida, cola zero e troquei as batatas por uma salada, porque simplesmente não me apetecia meter batatas gordurentas e pouco satisfatórias no meu corpo. Foi uma estreia, nunca tinha feito isto e sinceramente adorei. Não me custou nadinha e principalmente não tive aquela discussão silenciosa na minha cabeça entre o é só hoje... e o não, não podes! Simplesmente não me apeteceu e foi absolutamente libertador.

Desta vez, sinto que estou num mindset bem diferente e finalmente mente e corpo a rumar na mesma direção em vez de um contra o outro. Espero que continue assim

domingo, 11 de abril de 2021

Dia zero?...


 Pesei-me.

E vi algo que nunca imaginei para mim: 3 dígitos.

Eu sei que o número da balança não me define. Eu sei que o número da etiqueta das calças não me define. Eu sei que o espaço que ocupo no sofá não me define.

Eu sei o valor que tenho como mulher, como mãe, como esposa, como filha, como neta, como amiga, como profissional. E nada disso está ligado à minha aparência física.

Eu hoje sei que é impossível odiar-me até me amar, que isso não resolve porra nenhuma, só me diminui perante mim própria.

Eu não me arrependo de ter ganho 35kg depois de ter perdido 30. Esse foi o meu caminho e não seria a pessoa que sou hoje se não o tivesse percorrido passo após passo.

Tornou-me uma pessoa melhor, mais forte, mais independente, mais segura. Hoje não preciso da validação dos outros para me validar a mim mesma.

Mas...

Não posso continuar assim. O peso em excesso vai fazer-me mal, sim. Não à pessoa que me olha de volta no reflexo do espelho, essa sei o valor que tem. Mas vai fazer mal ao peso que os meus pés e pernas têm de carregar e eventualmente vai sobrecarregar o meu coração, ou os meus pulmões.

Eu quero perder peso. Eu preciso de perder peso. Mas nunca mais odiar-me como motivação... onde é que raio eu tinha a cabeça para algum dia ter achado isso uma boa ideia.

Eu quero perder peso porque me amo. Porque isso sim é cuidar de mim.

Eu quero pesar-me e não confundir o meu valor com o número da diaba da balança. Eu quero levantar-me do sofá e não caminhar como uma velha de 80 anos.

Eu não quero entrar no cíclo diabólico das dietas que não resultam e que nos convencem que a culpa é sempre nossa da nossa falta de empenho e de motivação.

Isto é um equilibrismo numa linha muito fina e quebradiça, mas eu tenho de tentar. Por muito difícil que seja manter esse equilíbrio. Não quero é continuar no caminho em que estou neste momento. 

segunda-feira, 22 de março de 2021

Dos hábitos do passado

Hoje eu consigo olhar-me no espelho e não me focar somente nos pontos negativos.

Hoje eu consigo não precisar de validação externa para gostar de mim.

Hoje eu consigo fazer todo o tipo de refeições sem achar que estou a cometer um enorme pecado.

Foi preciso muito tempo, muito investimento próprio, muita desaprendizagem para chegar onde estou hoje.

O meu copo de auto-estima está cheio e hoje eu posso dizer que aprendi a gostar verdadeiramente de mim como um todo.

Mas...

Confesso que de vez em quando as ideias antigas ainda me visitam.

Confesso que às vezes morro de medo do futuro, dos problemas que o meu peso me possa trazer e muitas vezes penso que seria mais fácil e confortável voltar ao infinito ciclo das dietas que eu tão bem conheço (atenção: não é).

Confesso que às vezes fico triste pelo quanto o meu corpo mudou e pelo facto de poucas coisas que tinha me continuar a servir. Tento não ceder à tentação de guardar peças mais pequenas com o intuito de um dia voltar a caber nelas, não faz bem a ninguém isso. 

Confesso que continuo a fazer zero exercício, apesar de saber perfeitamente o bem que faz ao corpo e ainda mais à mente. Sei que continua a ser auto-sabotagem, mas não consigo ter vontade de me mexer seja de que maneira for.

Desaprender todos os hábitos apregoados pela indústria das dietas como "saudáveis" quando tudo o que faziam era deitar-me abaixo e empurrar ainda mais para o fundo a minha auto-estima é um trabalho árduo. Remar contra a maré dessa indústria que movimenta milhões é um trabalho a tempo inteiro. E às vezes apetece-me atirar a toalha ao chão e voltar a "encarneirar" nas dietas. Era mais fácil, de facto.

Mas depois penso em tudo o que passei, o quanto me custou a chegar aqui, ao ponto alto deste amor por mim e sei que não vale a pena voltar a odiar-me para modificar o meu corpo.

É seguir em frente, uns dias melhor e outros dias pior e tentar todos os dias fazer o melhor para mim.

É difícil, mas tenho de continuar comigo no topo das prioridades. 

domingo, 27 de dezembro de 2020

O que eu quero para 2021


Além dos desejos normais de saúde, paz, felicidade e alguns trocos para gastar, quero só continuar no meu caminho de amor próprio.

Sei que estou sempre a bater na mesma tecla e isto na realidade deve fazer pouco sentido para quem nunca enfrentou problemas de auto-aceitação, autoestima, problemas de peso e ódio pelo reflexo do espelho. 

Mas olha, todas as minhas vivências me trouxeram a este momento e posso dizer que nunca gostei tanto de mim como hoje. Consigo olhar-me no espelho e não odiar o que vejo. Consegui descolar o meu peso e o meu aspeto físico do meu valor como pessoa e consigo amar-me mais.

Neste novo ano adorava implementar alguns novos hábitos para me ajudar a atingir uma paz interior maior:

  • Começar aos poucos a fazer meditação - quem faz diz maravilhas e eu adorava ganhar esse hábito
  • Além da frase diária de self love começar também um diário de gratidão - focarmo-nos nos pequenos prazeres da vida leva-nos a relativizar os "problemas" do dia-a-dia
  • Começar a fazer ioga - sinto o meu corpo incrivelmente enferrujado e adorava ganhar mais flexibilidade 
  • Ter mais atenção à minha postura sentada ao computador ou no sofá - as minhas costas já reclamam de horas a fio curvada nas posições mais estranhas possíveis
  • Criar uma rotina noturna de cuidado da pele e incluir nessa meia horinha o tal diário de gratidão e self-love - é incrível como eu consigo procastrinar os cuidados com a minha pele e o journaling que me sabe tão bem
  • Ouvir mais o meu corpo e balancear os chocolatinhos que lhe dou com mais legumes e frutos 
  • Continuar as caminhadas em família que neste último mês foram interrompidas pela chuva e pelo confinamento - enquanto o meu esporão permitir pelo menos
  • Continuar a hidratar o meu corpo por dentro e por fora - estes dois hábitos já estão mais ou menos enraizados, é só continuar
Há dois dias atrás fiz uma coisa que não devia: pesei-me... e não gostei do que vi. Mais do que o número, o que me chateia são as dores nas pernas e nos pés que penso dever-se mesmo ao excesso de peso. Qualquer "dieta", ou antes, reeducação alimentar e física que faça, vai ter sempre em mente o amor pelo meu corpo, e não o ódio por ele. E isso é o que faz faz toda a diferença. 

Gostava de voltar a perder peso e espero que estes novos hábitos levem a isso, mas a perda de peso, a acontecer, não será o objetivo, mas sim um dano colateral. O grande objetivo vai ser criar hábitos que me façam sentir bem, que me elevem a paz de espírito e que me façam sentir mais ligada a mim própria.

Sei que para conseguir isso tenho de fazer um esforço monumental durante o mês de janeiro para manter o foco e entranhar estes hábitos. Estou confiante!!

Feliz 2021!!


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Da libertação do peso dos números


Há poucas semanas descobri a maravilha das leggings como roupa de andar por casa. 

Foi coisa que nunca me tinha chamado a atenção, por um lado por não achar que favoreça as minhas pernas, por outro porque vejo muita gente na rua com leggings pouco opacas e detesto isso. No entanto, descobri na Decathlon umas bastante opacas e confortáveis.

Ora faltava-me umas túnicas para me sentir mais confortável. Hoje fui à Kiabi e comprei duas túnicas tamanho XXL. Sim o XL servia-me, mas não dava o aspeto largo ao look que eu procurava, então subi o número sem fazer disso um bicho de sete cabeças. 

E se isto parece realmente algo sem importância nenhuma para o comum dos mortais, para mim é mais um passo de gigante na aceitação e no facto de descolar todo e qualquer valor do número da etiqueta. No passado nunca me teria atrevido a subir um número. Provavelmente iria preferir mudar por completo o estilo que procurava. Hoje sinceramente não quero saber da etiqueta, quero é sentir-me bem comigo. 

E estes outfits vão ser bastante usados nos próximos tempos, pois como era mais do que previsível, voltamos ao teletrabalho e ao slow living... 


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Never have I ever


 
Nunca na vida tinha tido coragem de andar com unhas pintadas de cor forte. Só ao fim de 44 anos é que senti que as minhas micro-unhas também tinham direito a ser mimadas apesar de não serem aquelas unhas longas e elegantes que fazem uma mão bonita e me rendi à manicure profissional. São pequeninas, mas são as minhas. A partir do momento em que as aceitei precisamente como elas são e me convenci que também elas podem ser belas, passei a cuidar muito melhor delas. 

Este é provavelmente a maior simbologia da minha auto-aceitação. Afinal, ser fora do padrão pode ser o meu maior atributo e não o meu pior defeito.

Nunca na vida tinha tido coragem de usar a minha camisola básica e justa sem algo a tapá-la. Nunca me tinha atrevido a mostrar os pneuzinhos que esta camisola, que me acompanha seguramente há uns 20 anos, não consegue esconder. Hoje foi o dia, porque realmente eu sinto-me bem com ela (pneuzinhos incluídos) e muito sinceramente a opinião dos outros deixou de me interessar. A isto chama-se confiança.

Nunca na vida usei uma saia no emprego. Aliás, tirando os vestidinhos de verão, nem sequer tenho uma única saia. Ainda não foi hoje, mas estas calças largas mega confortáveis são um passo de gigante nessa direção. Também nunca na vida me tinha atrevido a chamar a atenção para a parte inferior do meu corpo com as cores mais vivas. Normalmente uso calças de ganga ou pretas e avivo o visual com camisolas de padrões. Inverter esta tendência é uma novidade para mim. Aliás, tentar adivinhar o que os outros pensam ao olhar para mim, se é que pensam alguma coisa de todo, deixou de estar na minha lista de preocupações.

Abraçar-me a mim própria como um todo tem sido uma lufada de ar fresco na minha vida, porque o meu corpo é provavelmente a coisa menos interessante em mim.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Das novas resoluções - frutas e legumes


Umas das resoluções que tomei foi privilegiar o consumo de frutas e legumes, comprá-los no comércio tradicional e preparar tudo de imediato.

Há duas semanas que o faço e na realidade funciona. 

Eu costumava comprar tudo no supermercado apenas por comodidade. Assim não tinha de me deslocar a outra loja, além de que não tinha à beira de casa nem do emprego uma frutaria que me agradasse. Ora, no supermercado acabava por pagar esses alimentos mais caros e com menos qualidade, além de que muitas vezes trazia fruta sem sabor ou que se estragavam muito rapidamente devido aos métodos de conservação que eles utilizam. A juntar a isto o facto de ter tantas compras para arrumar que o que menos me apetecia era estar a arranjar legumes.

Agora, arranjei uma frutaria relativamente perto de casa e acabo por trazer frutos e legumes mais frescos, cheios de sabor e, na maioria das vezes, nacionais.

Quando chego a casa com o saco da fruta e dos legumes o que faço é:

- Fruta - lavo, seco muito bem e coloco ou na fruteira, se precisar de amadurecer um pouco mais, ou no frigorífico, se estiver pronto a comer.
- Couve-flor ou brócolos - corto os floretes e guardo numa caixa pronto a cozinhar
- Alface, feijão-verde e couve - corto em pedaços e guardo numa caixa pronto a cozinhar
Este tipo de legumes opto por lavar só quando for utilizar para evitar estragar tão depressa

O que acontece é que tenho mais vontade de comer a fruta porque na realidade é mais saborosa. E quanto aos legumes, se por um lado estão já preparadinhos e é só mesmo cozinhar, por outro lado, tenho mesmo de os consumir nessa semana quanto mais não seja para não os deixar estragar.

Além de que poupo dinheiro… Só vantagens, nem sei como não me rendi a isto há mais tempo!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Depois da tempestade vem a bonança... sempre!


Confesso que o que se passou anteontem mexeu muito comigo. Senti-me enxovalhada e humilhada. O hubby queria fazer uma queixa, mas muito sinceramente nunca mais quero ver aquela gaja na vida e muito menos trocar mais uma palavra com ela.

Toda a situação ficou a ecoar na minha cabeça… e ontem ainda me sentia muito sensível e triste. Já há muito que não me sentia assim. Na realidade já não me sentia assim desde que acabei com a ditadura da balança, era aquele sentimento de falhanço que tinha regularmente e que tinha desaparecido totalmente depois que me libertei dela.

Olhei para dentro de mim.
Já perdi 30Kg. 
Passei por imensas fases para isso acontecer. Altos e baixos. Dietas restritivas e momentos de puro descontrolo. Alegria por um número na balança e ódio intenso pelo mesmo número na semana seguinte. Sentimentos de euforia e de obsessão. Um sacrifício imenso para manter o corpo mais pequeno do que ele foi talhado para ser. Uma autêntica montanha russa de emoções com a companhia permanente do ódio por este corpo.
E depois descobri toda uma comunidade dedicada ao body positivity e à aceitação do corpo que temos. Saber que havia mais pessoas com o mesmo tipo de corpo que eu tenho e que se amam como são?? Nem sequer sabia que isso era possível! Mas pareceu-me incrível e alinhei! 
O sentimento de liberdade é incrível!
E assim, aos poucos, os 30Kg voltaram. Todos. Com a diferença que eu agora estava feliz.

A ideia por detrás do body positivity é aceitarmos o nosso corpo e olhar para ele com amor. 
Em vez de odiar as coxas rechonchudas, agradecer por elas nos levarem a tantos sítios. 
Em vez de abominar a barriga flácida, agradecer por ela ter abrigado um ou mais bebés. 
É saber que apesar de não haver alimentos proibidos, há obviamente alguns que só podemos consumir moderadamente, ter isso em mente e nutrir o nosso corpo convenientemente porque o amamos.
E foi aqui que eu me espalhei. 

É perfeitamente normal que uma pessoa que passe muito tempo em dieta a restringir isto e aquilo, depois tenha de ir até ao outro lado do espectro e comer demais, principalmente do que mais restringiu. É o nosso corpo a testar-nos. É ele a ver se vai mesmo poder confiar em nós ou quando é que vamos tirar-lhe o tapete e obriga-lo a entrar de novo em restrição.

Mas, nalguma altura temos de voltar ao ponto central, àquele ponto minúsculo de equilíbrio e que é a chave de tudo na vida.

Portanto eu quero voltar a olhar para dentro de mim e corrigir os excessos que estou a cometer. 
Não quero fazer dieta, não quero comer só uma sopa à noite, nem comer doces só uma vez por semana.
Mas quero voltar a alimentar o meu corpo come ele merece. E isso significa dar mais primazia a legumes sim por exemplo, sem excluir uma pizza, mas mais de vez em quando. Ou lanchar um pãozinho e uma peça de fruta em vez de meia dúzia de bolachas recheadas.
Concentrar-me mais nos alimentos que fazem bem ao meu corpo em vez de consumir só os que sabem bem ao paladar. Mas tudo com o tão querido equilíbrio.

Isto tudo para dizer: Não, senhora doutora, não vou só comer uma sopa ao jantar para ver o número da balança a baixar. Vou procurar o equilíbrio que nunca consegui encontrar agora que já estive nos dois laos do espectro: o da restrição e o do excesso. Podes confiar em mim corpo, não te vou mais fazer passar fome, mas também não te vou mais sobrecarregar com açúcares e gorduras.

É o equilíbrio que procuramos. Não pelo número que marcava naquela balança, mas porque o meu corpo merece que eu o trate como o herói que ele é. 

Nunca mais te vou odiar… Prometo.

domingo, 19 de julho de 2020

É disto mesmo que eu sinto falta


Não sinto falta das restrições, nem do ódio por mim e muito menos das desilusões na balança no final da semana.

Mas sinto falta da sensação segura de ter um objetivo. Do planeamento e do sentimento de dever cumprido. Sinto a falta disso.

Ontem foi um daqueles dias em que me sentia gorda (ainda há dias desses em que isso me afeta) e, num instante de sinceridade crua disparei para a minha filha:

- Que pernas tão gordas eu tenho...
- Se não te sentes bem, faz alguma coisa!
- Gostavas mais de mim se eu fosse mais magra?
- Não! Tu és muito mais do que isso. Aliás gosto mais de ti agora do que quando eras mais magra, és mais feliz agora.

E eu fiquei embevecida a olhar para ela. Eu sei que nem sequer deveria ter feito esta pergunta, até porque já sabia a resposta, mas saiu-me, pronto. E ela continuou:

- O nosso problema é que nós decidimos que vamos fazer coisas, fazemos duas vezes e desistimos. Por exemplo as segundas-feiras vegetarianas, as caminhadas, o levantar cedo ao sábado para caminhar na praia...

E ela tem razão. Desistimos ao fim de poucas vezes e eu culpo-me por isso. Afinal as refeições são por minha conta e acordá-los ao sábado também. É a minha veia sabotadora a funcionar desde sempre.

Desde o início do confinamento, já lá vão 4 meses, deixei de fazer o planeamento das refeições, porque estou maioritariamente em casa e baldo-me mais. Há mais refeições do desenrasca e mais frango no churrasco com batata frita.

As caminhadas também são facilmente sabotáveis com o "hoje não que estou cansada", ou o "hoje não que está calor" ou o "hoje não que está vento" ou mesmo o "vamos amanhã" e assim se vai marcando mais o nosso rabo no sofá e empurrando com a barriga um hábito saudável tanto para o corpo, como para a mente e até para o nosso relacionamento familiar.

E pronto. Mais uma lição que recebi desta pirralha que me conhece melhor do que ninguém neste mundo.

Resultado:

- Vou voltar ao planeamento das refeições semanais incluindo as segundas vegetarianas, as quintas de peixe e as sextas de sopa.

- Vamos voltar às caminhadas ao fim do dias e aos sábados de manhã à beira mar

- E já agora, voltar a beber 1,5l de água por dia fora das refeições em vez de aldrabar à farta.

Quem sabe se estes objetivos são suficientes para me trazer aquele gostinho bom de dever cumprido sem o gosto amargo que uma dieta invariavelmente traz.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Nem me acredito!!


Três meses e meio depois de ter vindo para casa em teletrabalho eis que... o patrão diz que é para continuar neste registo até ao final de stembro!!!!

Eu que estava convencidíssima que a partir de dia 1 ía voltar (com muito receio) ao escritório, fiquei nas nuvens!

Confesso que gosto de estar a trabalhar em casa. É que há dias em que trabalho das 9 às 18:30, o telefone não pára e os e-mails são seguidinhos, mas também há dias calmos que me permitem levantar da mesa da sala e passar ao sofá para ver um episódio de uma série, ou estender uma roupa ou tomar um belo banho. Gosto desta liberdade e ter este plano alargado - 3 meses - acaba por ser um sonho neste momento.

Agora que a preocupação com o covid está controlada para mim, é mesmo altura de me dedicar ao self-care. Quem sabe se não é desta que as rotinas se instalam.

domingo, 14 de junho de 2020

Como criar rotinas, alguém me explica?...

Ontem fomos às compras. Ao fim de algumas horas eu estava de rastos com dores nos pés (levei umas all star da feira), mas principalmente nas pernas e passei a noite com cãibras. E isso assustou-me. Se é assim aos 44, como será aos 60?

As minhas pernas sempre foram o meu maior problema. São gordinhas por todo, desde o tornozelo e repletas de celulite. Se antes eu as odiava e queria a todo o custo mudar a sua aparência (sofri horrores em sessões de mesoterapia), com o tempo aprendi a aceitá-las e a desligar o meu valor da aparência do meu corpo e delas também.

Mas uma coisa é eu fazer todo o percurso mental de aceitar o meu corpo, sentir-me grata pelas experiências que ele me proporciona e outra coisa é eu desleixar-me com ele. Ele merece que eu o trate com amor e com carinho e isso inclui o exercício físico.

Sim, eu abandonei as dietas.
Abandonei o ódio ao reflexo do espelho.
Abandonei a restrição de comidas de conforto.
Abandonei a escravatura da balança.
Abandonei a ligação do meu valor pessoal à minha aparência.

E sim, ganhei peso nesse processo. Bastante.
Mas também ganhei paz interior.
Ganhei um amor próprio que nem sabia que existia.
Ganhei alegria nas mais pequenas coisas.
O que eu não ganhei foi vontade de mexer o meu corpo.

Foram muitos anos a mexê-lo única e exclusivamente motivada pelo ódio à minha aparência e com o único propósito de o obrigar a diminuir de tamanho.

Não é esse o meu propósito agora. Não é minha intenção mexer-me para emagrecer, mas sim porque sinto a necessidade física disso. A minha resistência é nula neste momento e sinto que estou numa altura da vida crucial para abraçar uma rotina destas. Preciso muito. Pela minha saúde.

Não quero ginásios, nem PT's, nem grandes projetos. Quero começar aos pouquinhos mas regularmente. Pode ser uma caminhada, uns agachamentos, umas danças do youtube, subir escadas, ioga online...

O que eu quero é poder subir 2 lanços de escadas sem ficar a morrer, ou passear sem cãibras. Quero que por uma vez, esta vontade de me mexer venha de um sítio de amor por mim e não de ódio, porque é claro que eu sei que isto me faz falta e que é um princípio básico para uma vida saudável.

Mas como é que eu faço para ganhar a vontade de levantar o rabo do sofá ou da cama? Sou bem capaz de passar 2 ou 3 horas entre twitter, instagram, facebook, big brother, novelas... Não me passa pela cabeça desalapar e mexer-me um pouco?...

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Destes dias


 - Pois que continuo por casa em teletrabalho. Felizmente o meu patrão demonstra ser uma pessoa cautelosa e como o trabalho continua a ser feito na totalidade, manteve a modalidade até ao final do mês. Sei que vai ser muito difícil voltar a trabalhar fora de casa todos os dias quando acontecer, mas quero focar-me em sentir-me grata por ter estado estes últimos meses na segurança do meu lar e a acompanhar devidamente a minha filhota.

- A minha filha contou aos meus pais que tem uma namorada e eu fiquei super-orgulhosa dela, pela conversa adulta e pela maneira como a conduziu. Senti também orgulho pelos meus pais que, apesar de chocados e de terem de assimilar a situação, nem sequer puseram em causa o amor por ela e o apoio que continuam a dar-lhe. Passado uns dias contou à minha cunhada que também vive uma relação não assumida com uma rapariga. A minha filha está uma mulher e deixa-me orgulhosa todos os dias.

- Hoje fiz algo que já não fazia há muito. Pesei-me. Não o devia fazer, porque sei que é uma coisa que pode mexer muito comigo, mas a curiosidade foi grande e não resisti. Não sei se aumentei ou diminuí desde a última vez, mas julguei que pesasse mais. 

- Ando tão farta de cozinhar e de comidas, que há dias em que como mesmo muito pouco, porque não me apetece nada. Sei que devia comer mais legumes e fruta, mas não o tenho feito. Sei que devia beber muuuita mais água, mas também não o faço por pura preguiça. É como se o espaço livre na minha cabeça estivesse todo ocupado com as preocupações e angústias do que se passa no mundo e não tivesse espaço para olhar para dentro de mim. 

- Agora que a vida volta aos poucos a uma nova normalidade, já não estamos presos na nossa bolha, quero voltar a olhar para dentro de mim. Quero nutrir mais o meu corpo e hidrata-lo decentemente, como ele realmente merece. Também quero mexê-lo mais, ainda não sei como, mas um dia hei-de descobrir.

- Voltei a fazer unhas noutra menina, desta vez de gel em vez de imersão em pó e adorei. Além de ter pago quase metade do preço, ficou um trabalho muito perfeito e uma pessoa sente-se logo mais bonita e vaidosa. 

- Decidimos que vamos passar 15 dias de férias ao Algarve em agosto. Vamos para o apartamento particular para onde já vamos há alguns anos e o tipo de férias que costumamos fazer (sem restaurantes, sem noitadas e sem bares) é perfeitamente compatível com as restrições deste ano e sempre mudamos de ares. Refeições no terraço com vista para o mar aqui vamos nós!!

- Já nos juntamos com a minha família chegada e com a família chegada do hubby. Foi um longo tempo sem nos vermos, mas de ambas as vezes correu tudo muito bem, parece que o afastamento fez bem a toda a gente!

E tem sido assim, devagar, devagarinho vamos voltando às rotinas, sem esquecer as novas cautelas e sempre de máscara e desinfetante no bolso.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Eu, ela e ele


Neste fim de semana decidimos em família que iriamos melhorar o nosso estilo de vida. Não que tenhamos uma vida muito desregrada, mas há alguns pontos onde podemos melhorar.

Isso inclui melhorar a nossa alimentação, torná-la mais intuitiva e nutritiva, reduzir às guloseimas que muitas vezes são uma muleta para lidar com o stress (eu) acompanhar as refeições maioritariamente com água (ele) e mexermo-nos com mais assiduidade e com prazer em vez da sempre presente obrigação (todos).

Plano feito e aceite de bom grado por todos, decidimos que as caminhadas seriam aos fins de semana e à 4ª à noite. Muito bem!

A 4ª aproximava-se e a minha cabeça já tinha arranjado meia dúzia de desculpas:
- Tenho de acabar o jantar
- Vamos jantar muito tarde
- Está frio
- Agora já é tarde
- O sofá é tão mais confortável
- Não gosto desta zona para caminhar
- Se pegarmos no carro para ir para outro lado, apanhamos trânsito e fica ainda mais tarde.

Ela também tinha algumas desculpas preparadas:
- Se estiver vento não vou
- Ainda tenho de tomar banho

Ele chegou cheio de vontade e não cedeu às nossas desculpas...

Afinal o jantar estava adiantado.
Fomos antes do jantar caminhar pela nossa zona porque na realidade já não era assim tão cedo. Para a próxima procuramos outra zona.
O frio que estava foi-se dissipando com o calor da caminhada.
Quando chegamos ela tomou banho enquanto eu acabava o jantar.
Jantamos e o sofá continuava lá bem mais confortável do que dantes.
Jantamos mais tarde sim, mas ainda pudemos disfrutar do serão e com o sentimento de dever cumprido.

Se eu estivesse por minha conta, tinha desistido. Sim eu sou a rainha das desculpas. Assim a três torna-se mais fácil. Uns puxam os outros. Espero que seja para continuar!