Às vezes sinto-me cansada de estar constantemente a trabalhar em mudar a minha mentalidade e deixar as tão enraizadas ideias de dieta. É um trabalho exaustivo e constante.
Às vezes arrependo-me de ter seguido o caminho da alimentação intuitiva. E se eu nunca encontrar o equilíbrio e só ganhar peso mais e mais?
Às vezes penso que nunca vou conseguir sair da fase do abuso pontual e começar a escutar a sério o meu corpo e finalmente balancear saudavelmente o que antigamente eu considerava alimentos permitidos e proibidos. Porque quando há uma aberta, os proibidos tornam-se os mais abusados.
Às vezes há coisas pequeninas que despoletam estes pensamentos e que me tiram o sono. Tipo uma foto por exemplo. Ou a respiração ofegante numa pequena e inofensiva subida de poucos metros.
Às vezes ainda me incomoda imaginar o que será que os outros pensam de mim, do meu corpo, da imagem da minha família "coitadinhos, tão gordos e desleixados"... Será que alguém olha para nós e pensa isso?
Às vezes ainda penso que estou a fazer mal à minha saúde ao ter deixado as castrantes dietas, mesmo sabendo que as minhas análises clínicas estão com valores melhores do que nunca.
Às vezes acho que estou a reduzir os anos de vida saudável que terei para ver a minha filha criar a sua própria vida. Os meus e os do meu marido que também ganhou peso desde que eu abracei a alimentação intuitiva.
Às vezes penso quão mais fácil seria voltar ao cobertor aconchegante do controlo da balança e das rotinas restritas.
Isto porque eu só sei ser tudo ou nada. Raismaparta!
Estou aqui a sentir-me entupida de amêndoas e doces, quando na realidade não foi assim tanto que comi. Mas o facto de não ter andado a comer fruta nenhuma e muito poucos legumes deve ser um alerta do meu corpo. Eu ainda não os sei reconhecer e isso tira-me o sono. É 01:39 da manhã e eu aqui a tentar perceber o que sinto e porque me sinto assim.
Às vezes sinto falta da disciplina a que a dieta me obrigava. Não sinto falta da dieta em si, mas do planeamento. Eu funciono muito melhor com rotinas e neste momento sinto-me um pouco all-over-the place.
Não sinto falta do constante sentimento de culpa por não conseguir reduzir o meu corpo, mas sinto-me inchada e sei que me sinto melhor com menos peso e com mais mobilidade.
Eu afinal não quero mudar a minha trajetória, não quero ir novamente do 8 para o 80, mas quero corrigí-la.
Porque no final de contas, o que interessa é como eu me sinto no meu corpo e neste momento sinto-me um pouco presa nele.
Mas eu não o consigo fazer sozinha, preciso da ajuda e compreensão dos meus. Preciso que eles me dêem a mão para caminharmos juntos e que puxem por mim. Só nos faz bem, a todos.
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domingo, 21 de abril de 2019
sábado, 2 de fevereiro de 2019
Então pesei-me...
... e durante uns minutos, senti um verdadeiro turbilhão de emoções dentro de mim.
- OOhhhh!!!
- Podia ser pior...
- Mas ainda pensei que não fosse tanto...
- É oficial! Já ganhei 20 dos 30kg que perdi ao longo dos anos...
- Tenho de voltar às dietas e perder o raio deste peso...
- Mas para que é que eu deixei a dieta?!...
- Já te esqueceste do que andaste a sentir ao longo destes 9 meses?...
- Não, não esqueci. Mas valeu a pena? Valeu a pena desperdiçar o esforço que fiz durante 16 anos para perder peso?
Eu já sabia que a decisão de voltar a pesar-me me ia afetar. Só não sabia que as lágrimas me iam escorrer pela cara livremente sem eu as conseguir controlar. Como se viessem sem filtro mesmo cá de dentro.
Eu já sabia que ao escolher a liberdade do body positivity e da alimentação intuitiva e deixar de vez a vida das dietas, ia ter de aceitar o aumento de peso como contrapartida a tudo o que ganhei.
E o que é que eu ganhei neste percurso além do peso?
Ganhei liberdade
Ganhei uma grande dose de amor próprio
Ganhei umas férias despreocupadas
Aprendi que a comida é só comida, que não há comida boa, nem comida má e que tenho só de a balancear
Aprendi a caminhar de cabeça erguida (literalmente) e com confiança em mim
Aprendi que não me interessa a opinião que os outros possam ter sobre a minha figura
Aprendi que eu mereço ocupar o meu espaço no mundo
Aprendi que o meu valor não está intrinsecamente ligado ao número da balança
Aprendi que eu sou muito mais do que o meu corpo
Aprendi que o meu corpo ainda está confuso de tantos anos em que lutei contra ele.
Foram cerca de 16 anos a tentar encolhê-lo, a dar-lhe pistas confusas, a lutar contra ele. Obviamente que ele ainda não confia em mim. A maior parte das vezes ainda não consigo perceber quando é que tenho mesmo fome ou se como só por hábito. É ainda um trabalho em progresso.
E aqui estou eu. É este o momento. Estou na encruzilhada. Tenho à minha esquerda o caminho da dieta e à minha direita o caminho da alimentação intuitiva.
É nesta altura em que muita gente volta atrás ao que sempre conheceu toda a vida, ao que a grande indústria das dietas nos impõe. Eu percebo, já lá estive, sei o gozo que dá perder uns quilinhos, a sensação boa que é comprar umas calças do tamanho abaixo. Mas também me lembro das restrições e de como era dura comigo própria quando isso não acontecia.
Eu sei que o meu corpo vai encontrar o meio termo. E eu quero continuar a sentir a minha liberdade. A liberdade de me sentir bem no meu corpo. De olhar para o espelho e não odiar o que vejo. De falar para mim própria com gentileza. De me perdoar pelos meus erros. De gozar do prazer que a comida me dá. Quero passar a mexer mais o meu corpo, mas por me dar gozo, por gostar da sensação com que fico depois, não como castigo.
Quero a liberdade e quero amar-me ainda mais e isso sei que não vou conseguir pelo modo de vida restritivo da dieta, só pela alimentação intuitiva.
Mexeste comigo, balança, mas não me deitaste abaixo, nem me desviaste do meu caminho!
- OOhhhh!!!
- Podia ser pior...
- Mas ainda pensei que não fosse tanto...
- É oficial! Já ganhei 20 dos 30kg que perdi ao longo dos anos...
- Tenho de voltar às dietas e perder o raio deste peso...
- Mas para que é que eu deixei a dieta?!...
- Já te esqueceste do que andaste a sentir ao longo destes 9 meses?...
- Não, não esqueci. Mas valeu a pena? Valeu a pena desperdiçar o esforço que fiz durante 16 anos para perder peso?
Eu já sabia que a decisão de voltar a pesar-me me ia afetar. Só não sabia que as lágrimas me iam escorrer pela cara livremente sem eu as conseguir controlar. Como se viessem sem filtro mesmo cá de dentro.
Eu já sabia que ao escolher a liberdade do body positivity e da alimentação intuitiva e deixar de vez a vida das dietas, ia ter de aceitar o aumento de peso como contrapartida a tudo o que ganhei.
E o que é que eu ganhei neste percurso além do peso?
Ganhei liberdade
Ganhei uma grande dose de amor próprio
Ganhei umas férias despreocupadas
Aprendi que a comida é só comida, que não há comida boa, nem comida má e que tenho só de a balancear
Aprendi a caminhar de cabeça erguida (literalmente) e com confiança em mim
Aprendi que não me interessa a opinião que os outros possam ter sobre a minha figura
Aprendi que eu mereço ocupar o meu espaço no mundo
Aprendi que o meu valor não está intrinsecamente ligado ao número da balança
Aprendi que eu sou muito mais do que o meu corpo
Aprendi que o meu corpo ainda está confuso de tantos anos em que lutei contra ele.
Foram cerca de 16 anos a tentar encolhê-lo, a dar-lhe pistas confusas, a lutar contra ele. Obviamente que ele ainda não confia em mim. A maior parte das vezes ainda não consigo perceber quando é que tenho mesmo fome ou se como só por hábito. É ainda um trabalho em progresso.
E aqui estou eu. É este o momento. Estou na encruzilhada. Tenho à minha esquerda o caminho da dieta e à minha direita o caminho da alimentação intuitiva.
É nesta altura em que muita gente volta atrás ao que sempre conheceu toda a vida, ao que a grande indústria das dietas nos impõe. Eu percebo, já lá estive, sei o gozo que dá perder uns quilinhos, a sensação boa que é comprar umas calças do tamanho abaixo. Mas também me lembro das restrições e de como era dura comigo própria quando isso não acontecia.
Eu sei que o meu corpo vai encontrar o meio termo. E eu quero continuar a sentir a minha liberdade. A liberdade de me sentir bem no meu corpo. De olhar para o espelho e não odiar o que vejo. De falar para mim própria com gentileza. De me perdoar pelos meus erros. De gozar do prazer que a comida me dá. Quero passar a mexer mais o meu corpo, mas por me dar gozo, por gostar da sensação com que fico depois, não como castigo.
Quero a liberdade e quero amar-me ainda mais e isso sei que não vou conseguir pelo modo de vida restritivo da dieta, só pela alimentação intuitiva.
Mexeste comigo, balança, mas não me deitaste abaixo, nem me desviaste do meu caminho!
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Universo, és tu?...
Já tinha decidido pesar-me hoje, quando esta mensagem me apareceu no instragram...
... mesmo assim, resolvi ir em frente. Peguei na balança e... Ela não tem pilhas!
Há mais alguma coisa que me queiras dizer, Universo?!
Nota: vou comprar pilhas porque, agora sim, estou curiosa!
Nota 1: E saí de casa sem a referência das pilhas... Really?!...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Luta de vontades
Ando aqui numa luta interior e não sei bem para onde me virar:
- Por um lado apetecia-me pesar-me. Ultimamente sinto-me curiosa. Será que o meu peso aumentou muito desde a última vez? Será que passei para a dezena seguinte? Sinto que o meu peso estabilizou num número que lhe é confortável de manter. Mas qual é esse número?
- Por outro lado sei que não devo. Ando há 9 meses a tentar (com sucesso) afastar o meu valor do número que a balança me mostrava. A balança é o símbolo da minha obsessão pelo mundo da dieta e era no número que ela mostrava que eu depositava todo o meu sucesso ou os fracassos sucessivos.
- A balança já não tem poder sobre mim, porque eu me afastei dela. Será que é seguro para a minha mente voltar a pisá-la? Será um grande erro que pode despoletar em mim sentimentos passados que eu estou a lutar tanto para ultrapassar? Mas eu estou tão curiosa...
Não sei o que fazer...
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