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terça-feira, 19 de maio de 2020

Tive um sonho


Esta noite tive um sonho super real. Sonhei que estava à conversa com uma blogger conhecida e estávamos a falar sobre alimentação e peso. E a conversa era mais ou menos isto:

Eu: Há uns anos atrás eu pesava 93kg e agora peso 97, pelo meio perdi mesmo muito peso, quase 30kg, mas o que é certo é que agora me sinto melhor do que me senti durante este percurso todo.

Ela, que é super apologista de uma alimentação equilibrada e muito saudável só me escutava e olhava com curiosidade.

Eu: Sabes, é que eu antes olhava para o espelho e só conseguia olhar para os meus defeitos, as mamas descaídas , a barriga proeminente, as pernas de elefante, o duplo queixo de avó... E agora não . Agora vejo um todo. Vejo a Lena. E não um conjunto de defeitos.

E acordei.

É verdade que devo pesar agora pelo menos tanto quanto pesava quando iniciei a minha jornada em 2003. Todo o peso que perdi, tornei a ganhar, se não mais, não faço ideia de quanto peso agora, deitei a balança fora como forma de self-care. Também não comecei o meu percurso com 93kg, foi com mais.

Muito sinceramente não me arrependo de ter voltado a ganhar o peso que perdi. Tudo o que sou hoje devo a tudo o que passei. Sei que não teria a mentalidade que tenho hoje se saltasse etapas.

Se gostava de ser mais magra? Claro que sim, mas isso vai ser somente um dos efeitos secundários do self-care e nunca mais a principal razão.

E tudo o que disse no sonho é no que estou a tentar focar-me. Sonhar com isto, num sonho tão vívido, só me faz acreditar que isto é algo que se está definitivamente a enraizar em mim. E desligar o meu valor do meu aspeto é tudo o que eu quero.

O meu subconsciente a mandar-me a mensagem que eu tento seguir na vida real é só poderoso

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Do fim das férias


Decidimos antecipar a minha cirurgia ao esporão e à fascite para ontem e foi o melhor que fiz, muito sinceramente.

As férias pioraram bastante o problema e o facto do hubby e a filhota estarem em casa tem sido uma ajuda imensa.

Correu tudo bem, foi uma cirurgia simples, mas a recuperação penso que vai ser mais difícil do que eu contava. Para já é completamente impensável pôr o pé no chão e tenho de andar com as canadianas para todo o lado (para já tem sido do sofá - casa de banho - cama).

Sabia que era um pouco complicado, não deixa de ser uma operação ao pé e ainda por cima o direito, só damos conta da sorte que temos quando nos falha algo, mas não pensei que tivesse de ficar com o pé totalmente imobilizado.

Mas pronto, agora já está, o restinho das férias ficou suspenso e vamos lá ver por quante tempo terei de ficar no estaleiro... Pelo menos as séries e filmes vão todos ficar em dia!!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Da magia


Eu adoro o Natal.

Adoro ver a minha casa decorada, adoro estar debaixo da minha mantinha, colada à minha filha e, na penumbra da sala, ver pelo canto do olho as luzinhas da árvore a piscar.

Adoro ver os filmes de Natal para miúdos e graúdos repletos de encantamento e magia.

Adoro comprar os presentes, embrulhá-los,  colocá-los debaixo da árvore a dar-lhe ainda mais vida.

Adoro antecipar na minha imaginação o brilho nos olhos da minha filha, dos meus sobrinhos ou até mesmo dos adultos ao desfazer os embrulhos coloridos e conseguir vislumbrar sorrisos sinceros de felicidade.

Adoro muito mais dar do que receber. Adoro pensar que consigo tirar um poucochinho do pouco que tenho e partilhar com quem tem menos e tentar espalhar essa sensação ao longo do ano.

Vermelho não é de todo uma das minhas cores de eleição, mas adoro vê-lo salpicado por todo o lado nesta época. O Natal aos meus olhos veste-se de vermelho e verde com respingos de dourado.

Adoro o cheiro do Natal. O Natal cheira a canela, não há nada que eu mais goste do que comer a primeira rabanada quentinha embebida em leite adocicado e envolta numa espécie de areia de canela e açúcar. O Natal é leite creme, aletria e queijo da serra com pão de ló.

Eu acho que adoro mais os preparativos, a expectativa, a paz do antes, do que a azáfama do durante e a leve sensação de vazio do depois. Por isso é que eu gosto de fazer a árvore a meio de novembro, mas dificilmente gosto de a ver semi-nua, sem os embrulhos, a dar o salto para o novo ano.

E este ano com um espírito mais leve que já não tinha há mais de 15 anos, sem o fantasma da dieta de braço dado com o fantasma da compulsão que atacava à mínima distração da dieta, num arrependimento sem fim. Este ano não.

A minha filha há dias dizia-me 'O Natal não tem a mesma magia que tinha antes' ao que eu respondia 'O Natal é igual, nós é que o sentimos de maneira diferente à medida que vamos crescendo'

Mas ele não precisa de perder a magia, ela está sempre dentro de nós, mais ou menos adormecida, cabe-nos a nós reavivarmos a nossa chama tão viva da infância.

sábado, 20 de outubro de 2018

Confesso que estava com medo

Já lá vão 5 meses desde que eu pus a dieta e a balança para trás e comecei a confiar mais no meu corpo.

Esta nova fase dá-me uma leveza de espírito que há muito não sentia e o facto de me sentir mais em paz comigo mesma é o suficiente para valer a pena.

Sinto nas roupas que o meu corpo está ligeiramente maior, (o que é perfeitamente normal nesta primeira fase onde a alimentação intuitiva ainda não está bem implantada) mas ao olhá-lo ao espelho tento focar-me, acima de tudo, nas minhas virtudes e não nos defeitos.

Sim porque eu sou linda por tudo aquilo que eu sou!

Ainda assim, estava com receio dos valores das análises clínicas. Confesso que aquela vontade de me exercitar ainda não apareceu, ou melhor, ainda não descobri o exercício que me encha as medidas.

Ao mesmo tempo, descobri a existência de um equilíbrio dentro de mim. Nem só saladas e sopas, nem só doces e fritos. A tal intuição que é inata a todos, mas que a indústria das dietas aliada a uma baixa auto-estima trata de apagar de algumas mentes.

Fui fazer as análises anuais e fiquei agradavelmente surpreendida

Tanto os triglicerídeos como o colesterol total baixaram para valores que há muitos anos não tinha... e sem nenhum tipo de medicação.

Se alguma réstia de dúvida houvesse de que este era o caminho certo para eu seguir, ficaram mais do que dissipadas.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Quem é a Sweet?



Sou uma miúda já nos meus quarenta, mas com mentalidade cada vez mais jovem e recuso-me a ficar parada no tempo. Sou casada com o meu namorado de escola já há 19 anos e temos uma filhota em plena adolescência com quem tenho a melhor relação que poderia alguma vez imaginar.

O meu mundo mudou quando ela nasceu há 16 anos atrás. Para melhor. Eu nasci para ser mãe.

Quando ela fez um ano, eu, no meu maior peso, tomei a decisão de me tornar uma pessoa melhor e de educar a minha filha através de bons exemplos. E para isso tinha de me alimentar melhor (eu tinha uma alimentação mesmo muito má), tornar-me mais ativa e mais saudável. Por ela e também por mim.

Fiz de tudo e o meu peso realmente desceu. E subia e descia e mantinha-se tempos infinitos. E eu ficava frustrada. Sim, eu estava a adquirir novos hábitos mais saudáveis, estava a tratar do meu corpo, mas esqueci-me da minha mente.

Em 2010 criei o Sweet 68.

Eu já escrevia em caderninhos desde o início da minha jornada. A escrita ajudava-me a gerir os meus sentimentos, as alegrias e as frustrações e criar um blog foi realmente maravilhoso porque me mostrou um mundo de pessoas que sentiam o mesmo que eu.

O Sweet 68 era um blog de dietas, completamente virado para a perda de peso. O 68 era O objetivo. Cheguei a atingi-lo sim por breves momentos, mas muito à custa do meu bem estar emocional. Eu estava completamente obcecada com o peso e frustrada por não o conseguir manter e estar cada vez mais afastada daquele número que era título do meu blog que tive de o fechar para sentir alguma leveza na minha cabeça.

E em 2013 criei o Life is Sweet.

Já sem a angústia que o número me causava, consegui sentir alguma tranquilidade no sítio que era o meu escape. O blog para mim sempre foi onde me exprimi com mais sinceridade e plenitude. É realmente onde alguém consegue ver a verdadeira Lena.

O Life is Sweet era um blog virado para a vida saudável, mantendo a mentalidade de dieta e ainda focado no peso como medidor de sucessos ou fracassos. Já sem uma obsessão tão vincada, mas ainda assim com uma forte vertente de dietas.

Em maio de 2018, casualmente a dar uma vista de olhos no facebook, apareceu-me um artigo sobre uma rapariga plus-size a Allison Kimmey, com um corpo em tudo semelhante ao meu, mas com um amor incondicional por ele. E eu pensei: espera aí... se esta moça pode amar-se assim desta maneira, então eu também posso! 

E comecei a pesquisar um pouco mais sobre a vertente do #bodypositivity e o que eu encontrei foi um mundo absolutamente novo e repleto de novas perspetivas de encarar a vida.

Sabias que podias ser feliz agora, que não tens de esperar por atingires o teu peso ideal para começares a ser feliz? - Eu não sabia...

Sabias que é possível viver a vida sem te comparares a ninguém? - Eu não sabia...

Sabias que se deixares de te pesar, deixas de centrar o teu valor naquele número que tem o poder de te alegrar ou deprimir, como se fosse ele o centro da tua vida - Eu não sabia...

Sabias que não há alimentos bons nem alimentos maus, tudo são só alimentos que podemos comer quando nos apetece e que o nosso corpo acaba por naturalmente escolher os que nos fazem melhor, por não haver alimentos proibidos? - Eu não sabia...

Sabias que é possível exercitares o teu corpo como forma de recompensa pelo bem que sabes que vais sentir no final em vez de o fazeres como forma de punição pelos pecados alimentares que cometeste? - Eu não sabia...

Sabias que podes amar o teu corpo independentemente da forma dele e sabias que a tua filha está sempre a imitar os teus gestos e as tuas atitudes, mesmo as mais impercetíveis - Eu não sabia...

Porque o body positive é um mundo novo para mim e porque o Life is Sweet não era completamente focado nesta filosofia, criei o Sweet Little Things.

Porque temos de ver a vida como um conjunto de pequenas coisas agradáveis, senão corremos o risco de vermos a vida a correr mesmo à nossa frente sem a aproveitarmos ao máximo e sermos meros espectadores.