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terça-feira, 13 de abril de 2021

O primeiro dia do resto da minha vida



 Hoje respirei fundo mais vezes. Olhei para dentro de mim mais vezes. Ajustei as costas na cadeira mais vezes e ergui a cabeça mais vezes. Impedi que interrompessem o meu raciocínio mais vezes e fiz pausas mais vezes.

Hoje desde há muito, muito tempo, não comi um único pedaço de chocolate. Não é de todo a minha intenção abolir o chocolate que tanto prazer me dá, mas hoje, em particular, fazia sentido mostrar a mim própria que eu conseguia, se assim o quisesse. E verdade seja dita não me custou nada. 

Hoje o almoço teve muitos legumes e fruta, o lanche foi básico e satisfatório e o jantar foi bem frugal. Tanto que durante a nossa caminhada que se seguiu pensei: comi pouco, tenho fome. Um chá e uma bolacha resolveram o assunto. 

Não é assim que todos os dias vão correr em termos de alimentação, mas quero que sejam mais os dias assim do que de excessos. Não vou abolir absolutamente nada, muito menos o que realmente me dá prazer. Mas vou reduzir. E vou voltar ao básico, ao menos processado. 

A mentalidade do "perdido por cem, perdido por mil" já tinha abandonado há muito, felizmente. É agora vez de ajustar a mentalidade do "é só hoje". Esta era diária... 

Hoje comprei uma balança, mas guardei-a longe de mim. Sei bem a pressão psicológica que a curiosidade de ver o progresso me causa. A minha ideia é pesar-me ao sábado, só para avaliar se estou no bom caminho, o número não é relevante. Caso comece a mexer com a minha cabeça, mudo os hábitos. 

O que mais me arrasou ontem é que eu não estava a contar minimamente ter passado a barreira psicológica dos 3 dígitos. Na minha mente eu estava a ir bem e mantinha-me ali na linha de água, teria até perdido algum peso. Foi uma bela bofetada que apanhei. E não quero apanhar-me mais desprevenida. 

Não quero ficar obcecada pela balança, não vou voltar a prender o meu valor ao número que ela vai mostrar, nem vou pesar-me 2, 3 ou 4 vezes por dia. 

Vou levar um dia de cada vez. Vou respirar mais vezes fundo e erguer mais vezes a cabeça. Vou fazer mais pausas e vou olhar para mim com orgulho mais vezes. 

Este abanão foi forte e mexeu comigo, mas pode muito bem ter sido exatamente o que eu precisava. 


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Da libertação do peso dos números


Há poucas semanas descobri a maravilha das leggings como roupa de andar por casa. 

Foi coisa que nunca me tinha chamado a atenção, por um lado por não achar que favoreça as minhas pernas, por outro porque vejo muita gente na rua com leggings pouco opacas e detesto isso. No entanto, descobri na Decathlon umas bastante opacas e confortáveis.

Ora faltava-me umas túnicas para me sentir mais confortável. Hoje fui à Kiabi e comprei duas túnicas tamanho XXL. Sim o XL servia-me, mas não dava o aspeto largo ao look que eu procurava, então subi o número sem fazer disso um bicho de sete cabeças. 

E se isto parece realmente algo sem importância nenhuma para o comum dos mortais, para mim é mais um passo de gigante na aceitação e no facto de descolar todo e qualquer valor do número da etiqueta. No passado nunca me teria atrevido a subir um número. Provavelmente iria preferir mudar por completo o estilo que procurava. Hoje sinceramente não quero saber da etiqueta, quero é sentir-me bem comigo. 

E estes outfits vão ser bastante usados nos próximos tempos, pois como era mais do que previsível, voltamos ao teletrabalho e ao slow living... 


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Das novas resoluções - frutas e legumes


Umas das resoluções que tomei foi privilegiar o consumo de frutas e legumes, comprá-los no comércio tradicional e preparar tudo de imediato.

Há duas semanas que o faço e na realidade funciona. 

Eu costumava comprar tudo no supermercado apenas por comodidade. Assim não tinha de me deslocar a outra loja, além de que não tinha à beira de casa nem do emprego uma frutaria que me agradasse. Ora, no supermercado acabava por pagar esses alimentos mais caros e com menos qualidade, além de que muitas vezes trazia fruta sem sabor ou que se estragavam muito rapidamente devido aos métodos de conservação que eles utilizam. A juntar a isto o facto de ter tantas compras para arrumar que o que menos me apetecia era estar a arranjar legumes.

Agora, arranjei uma frutaria relativamente perto de casa e acabo por trazer frutos e legumes mais frescos, cheios de sabor e, na maioria das vezes, nacionais.

Quando chego a casa com o saco da fruta e dos legumes o que faço é:

- Fruta - lavo, seco muito bem e coloco ou na fruteira, se precisar de amadurecer um pouco mais, ou no frigorífico, se estiver pronto a comer.
- Couve-flor ou brócolos - corto os floretes e guardo numa caixa pronto a cozinhar
- Alface, feijão-verde e couve - corto em pedaços e guardo numa caixa pronto a cozinhar
Este tipo de legumes opto por lavar só quando for utilizar para evitar estragar tão depressa

O que acontece é que tenho mais vontade de comer a fruta porque na realidade é mais saborosa. E quanto aos legumes, se por um lado estão já preparadinhos e é só mesmo cozinhar, por outro lado, tenho mesmo de os consumir nessa semana quanto mais não seja para não os deixar estragar.

Além de que poupo dinheiro… Só vantagens, nem sei como não me rendi a isto há mais tempo!!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Odiozinho de estimação


Comprar roupa sempre foi aquela tarefa que eu adiiiiooo até não poder mais. Odeio! Mas quando abro o roupeiro e um dos dois pares de calças de ganga pendurado está quase a romper entre as pernas (o flagelo do costume), sei que não posso arrastar isso muito mais.

Eu já fui um tamanho 50 há uns belos anos atrás e contentava-me com roupa de velha que havia numa ou noutra loja. Servia? Ótimo! Não era lá muito bonito e muito menos na moda, mas pelo menos servia… ufa...

Também já fui um tamanho 42 há um par de anos atrás mas nem por isso a experiência era mais agradável. Sim, já havia um maior número de lojas onde podia atrever-me a entrar, mas era uma altura em que eu odiava o meu corpo, odiava olhar para ele nos espelhos dismórficos dos provadores e os olhos caiam única e exclusivamente nos meus monstruosos defeitos. Eu pegava única e exclusivamente na peça de roupa tamanho 42, era impensável subir um tamanho. Isso era um tremendo atentado à minha perda de peso e a culpa da roupa não me servir era única e exclusivamente do meu corpo parvo.

Hoje sou um tamanho 46. Mas se for um 48 ou um 44 também não tem mal nenhum. Consegui finalmente compreender que há simplesmente roupa que não foi desenhada para o meu tipo de corpo e isso não tem mal nenhum. É procurar outro modelo. Simples assim. Ajuda muito o facto de eu olhar para o meu corpo como um todo belo e não como um amontoado de defeitos horríveis.

Sim, o meu peito é descaído, mas alimentou a minha filha durante mais de um ano. A minha barriga é flácida, mas foi o ninho dela durante 9 meses, protegeu-a, alimentou-a, fê-la a partir de uma sementinha. As minhas coxas são grandes sim e molinhas, mas levam-me a tantos sítios bonitos. E os meus braços rechonchudos dão os melhores abraços.

Fazer as pazes com o meu corpo e aceitá-lo como ele é em vez de o odiar pelo que não é foi a melhor mudança que eu podia ter feito na minha vida. Olhar no espelho e ver a beleza total em vez de cada um dos defeitos em separado é de uma serenidade inigualável.

E isto não se trata de nenhuma ode à obesidade, trata-se sim de viver tranquila com o que na realidade sou e não estar constantemente na luta contra os quilos indesejados. Eu agora trato bem de mim pelo único prazer de tratar de mim e ouvir o meu corpo. Ele estava a suplicar por que eu parasse de o fazer encolher a um tamanho que ele não estava preparado para ter. Era uma luta 24/7 para perder 100 ou 200gr e o ódio e o sentimento de culpa por não conseguir mais estavam a consumir-me por completo.

É tão, mas tão importante ver mulheres reais por essa internet fora. É tão importante termos a noção de que não é preciso encaixar ali entre o 36 e o 42. Há corpos de todos os tamanhos e feitios e é urgente aprendermos a amar-nos de qualquer modo.

A minha saúde mental saiu a ganhar no meio disto tudo e no fim de contas a física também, as análises clínicas assim o indicam.

Isto tudo para dizer que acabei por comprar 2 pares de calças. Levei imensos pares 46 e 48 e houve dois que me fizeram sentir mesmo bem com eles vestidos. Era para trazer um terceiro, mas não estava 100% do meu agrado, portanto resolvi não me contentar com menos do que mereço. É certo que não consigo comprar roupa em todas as lojas, mas vejo que há uma preocupação crescente para a aceitação de vários tipos de corpos e há cada vez mais oferta para tamanhos maiorzitos.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Para 2020


Quero continuar a ser a minha melhor amiga.
Quero voltar à slow living e focar-me em sentir-me bem.
Quero voltar ao exercício pelo prazer do movimento e não pelo dever (sabe deus como preciso de me mexer).
Quero continuar no caminho da alimentação intuitiva, mas a ouvir melhor o meu corpo.
Quero continuar a olhar-me no espelho com gentileza e abraçar as minhas regueifinhas com amor em vez de ódio.
Quero passar belos momentos em família que sei que serão inesquecíveis (este é o ano em que finalmente vamos os três à Disney como presente de maioridade da princesa).
Quero estar rodeada de saúde e felicidade.
Na realidade é mesmo só isso que importa...

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Sou eu... Era eu...


Esta sou eu há 20 anos atrás. Tinha 24 anos.

Esta foto está colada no espelho do meu quarto há já alguns anos. Inicialmente coloquei-a lá para me lembrar de nunca mais voltar àquele peso. Olhava para a foto e só conseguia ver o duplo queixo, os braços rechonchudos e o olhar triste. E não queria ser mais assim, que horror!!

Hoje, com 44 anos, eu olho para ela, olho para mim e vejo que os braços voltaram a ser rechonchudos, a cara voltou a ser mais cheiinha, mas a expressão é totalmente diferente.

A Sweet dos vintes queria ao máximo passar despercebida, era extremamente insegura e só queria era ser feliz (e era, apesar da expressão).

A Sweet dos quarentas não se importa de se destacar, já não quer ser apenas um tom de cinza, tem todas as cores dentro dela, quer fazer-se ouvir, quer estar de bem com a vida e só continua a querer ser feliz.

A vida deu umas boas voltas nestas duas décadas, mas a maior de todas foi sem dúvida na minha maneira de pensar.

Fisicamente foi um circulo completo, todo o peso que perdi à custa de tanto sacrifício físico, mas essencialmente mental, voltou todinho para mim.

A foto continua lá, no espelho, mas para me lembrar que não me quero mais esconder, nem tentar encolher-me ao aceitável pela sociedade.

Para o novo ano desta vez não tenho pretensões de perder x quilos em x tempo, nem de me obrigar a fazer exercício x vezes por semana para me catalogar de "bem comportada".

Nada disso! Para o novo ano quero continuar a olhar-me no espelho, dizer "obrigada corpo" e tratar todas as regueifinhas com gentileza. Hidratá-lo porque ele precisa, massajá-lo com cremes porque a pele agradece e fazê-lo mexer porque ele não quer ficar enferrujado.

E esta é a grande mudança de mentalidade: tratá-lo com amor como o meu melhor amigo e não castigá-lo com ódio como se fosse um demónio.

E nunca, mas nunca mais, descurar a saúde mental

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Acabou-se!!...

Já há uns dias que me andas a enervar... Sim, tu. Tu que estás guardada na gaveta por baixo dos lençóis polares da menina. Já não te ligo... Já não mandas em mim.. Já não me gritas FALHADAAA!! quando me ponho em cima de ti.

Silenciei-te. Adormeci-te. Mas não te matei. Controlo-te ao me controlar para não ceder ao teu chamamento. Há algum tempo que não dou protagonismo. Mas continuas ali a dois passos de me fazeres sofrer se eu deixar.

Ou continuavas. Já lá não estás mais!

Peguei nos sacos do lixo e peguei em ti também para te guardar na garagem, mais longe de mim. Longe fisicamente, mas sabia que a corrente afetiva só esticava, não quebrava.

Chovia... O elevador parou no rés do chão... Fui levar os sacos ao contentor e tu foste comigo. Voltei para dentro para te esconder numa qualquer gaveta funda da garagem... A chuva continuou mais forte e eu quase que a ouvia a dizer DEITA-A FORA!!

Em vez da meia volta para a garagem, dei a meia volta para o contentor e atirei-te lá para dentro com a alma lavada. Subi as escadas a pé como há muito não o fazia com uma leveza no corpo e uma ainda maior na alma.

Fui tua prisioneira anos a fio! Deixava nas tuas mãos as minhas vitórias e os meus fracassos. Deixava que me dominasses o humor consoante o número que me mostravas todas as manhãs, despida de tudo e o mais vulnerável que me podia sentir.

Não o fazes mais. Não me interessa o que tu dizes. Nunca mais quero ser associada a um número.

Quero o meu bem estar. Quero o meu amor por mim em alta. Quero tratar-me com o amor que eu mereço. Quero os meus banhos quentinhos. Quero os meus cremes cheirosos. Quero a minha pele macia. Quero as minhas caminhadas com a minha música como companhia. Quero os meus bolinhos. Quero os abracinhos dos meus amores. O que eu não quero nunca mais é ser julgada, mais por mim própria do que por qualquer outro ser, pelo número que gritas!

Nunca. Mais.

Adeus balança

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Hoje jantei pizza


Porque nos estava a apetecer. Mas almocei brócolos e douradinhos no forno e deliciei-me com uma laranja para a sobremesa. Nunca pensei que uma peça de fruta me fosse saber assim tão bem!...

Se antes eu morria por uma sobremesa - era literalmente a única razão por que eu gostava de comer fora - agora não há um único doce que eu diga: Aaahhh, apetece-me meeesmo isto... Não há! Tudo me parece normal porque agora nada é proibido. Agora que eu me dou permissão para comer, não me apetece!

Até o chocolatinho obrigatório de final de refeição estou a passar. Em mim, isto é completamente inédito!!

Sinceramente, sinto que como menos, bastante menos e aquela goludice desenfreada do início já passou.

Olha eu com desejos de fruta e iogurtes... Mas alguma vez isto me passou pela cabeça?!...

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Uma semana depois...


Cá estamos! Com sapato especial e duas muletas que não me permitem fazer quase nada. Eu que gosto tanto de andar a cirandar de um lado para o outro mesmo dentro de casa, sinto-me incapacitada.

A recuperação em si parece estar a ir em bom ritmo. A ferida exterior está limpinha e a cicatrizar bem, mas ainda não consigo por peso nenhum em cima do pé e também não quero forçar, por dentro levou um estrago valente. Devagarinho lá chegaremos!

Nestes últimos meses tenho andado cada vez mais parada a culminar nesta semana completa no sofá e sinto o corpo mole e perro. É normal, eu sei, mas agora mais do que nunca estou mesmo a dar importância ao que o meu corpo faz por mim. Vou passar a cuidar tão bem de ti meu lindo!...

Ontem pesei-me e voltei a um peso que no passado jurei nunca mais ter. Fiquei um pouco triste, claro. Mas honestamente, eu agora olho-o no espelho e não o vejo com o ódio e o desgosto com que o via no passado.

Se eu quero ter este tamanho? Não, não quero, simplesmente porque me sinto melhor quando estou mais leve e mais ágil.

Se eu vou embarcar em mais uma das mil dietas restritivas que existem no mercado? Não, não vou.

Vou simplesmente tratar-me com gentileza:
Alimentar o meu corpo de forma equilibrada.
Mexer-me de uma maneira que me dê prazer.
Hidratá-lo para que toda a engrenagem funcione regularmente.
Massajá-lo com cremes e loções cheirosas.
Rodear-me de pessoas (reais ou virtuais) que me inspirem.
E acima de tudo, olhar-me ao espelho, ver-me como um todo com bons olhos, sem me concentrar nos defeitos e agradecer ao meu corpo o que ele faz por mim.

Se o resultado destes atos for a perda de peso, ótimo. Se não for, paciência. Não vou é sacrificar de novo a minha saúde mental pela perseguição de um corpo que nunca foi suposto ser meu.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Do fim das férias


Decidimos antecipar a minha cirurgia ao esporão e à fascite para ontem e foi o melhor que fiz, muito sinceramente.

As férias pioraram bastante o problema e o facto do hubby e a filhota estarem em casa tem sido uma ajuda imensa.

Correu tudo bem, foi uma cirurgia simples, mas a recuperação penso que vai ser mais difícil do que eu contava. Para já é completamente impensável pôr o pé no chão e tenho de andar com as canadianas para todo o lado (para já tem sido do sofá - casa de banho - cama).

Sabia que era um pouco complicado, não deixa de ser uma operação ao pé e ainda por cima o direito, só damos conta da sorte que temos quando nos falha algo, mas não pensei que tivesse de ficar com o pé totalmente imobilizado.

Mas pronto, agora já está, o restinho das férias ficou suspenso e vamos lá ver por quante tempo terei de ficar no estaleiro... Pelo menos as séries e filmes vão todos ficar em dia!!


terça-feira, 4 de junho de 2019

Voltei a pesar-me...


... e estranhamente sinto-me em paz.

Vi um número que pensei que nunca mais iria ver, mas em vez do ódio e desilusão habituais senti paz e que aquele era somente um número, que não tinha nada a ver comigo, com o meu valor como pessoa.

Eu sei que o peso tem aumentado porque eu ainda estou numa fase inicial, quer dizer, eu enganei o meu corpo durante tantos anos, lutei tanto contra ele, fazia-o crer que ele estava constantemente errado... Quando ele me dizia Tenho fome! eu calava-o com um copo de água... Quando ele me dizia Dá-me um bocadinho de chocolate! eu fingia que não o ouvia até ele ganhar e em vez de um quadradinho comia compulsivamente uma tablete inteira.

Hoje tenho no frigorífico meia dúzia de chocolates que a minha avó traz quando cá vem a casa. E estão lá há meses sem ninguém lhes tocar simplesmente porque a gula agora não anda descontrolada.

Se eu quero estar assim tão pesada? Claro que não!

Não é bom para mim, sinto-me pesada e limitada de movimentos. Quero mexer-me. Preciso de me começar a mexer. Mas porque quero cuidar do meu corpo. Porque o adoro! Porque é a minha primeira casa! E não porque o odeio e o quero encolher para os limites standardizados por uma sociedade dietista que ganha milhões à custa das nossas inseguranças.

Acima de tudo, estou imensamente feliz por finalmente conseguir não me afetar terrivelmente por aquele número.

O meu corpo merece melhor e esta é a minha tarefa: cuidar dele, nutri-lo devidamente e amá-lo. Não odiá-lo.

Se antes eu acreditava cegamente que só o conseguia mudar se o odiasse, agora só penso: WTF?! Se o amar o bastante, eventualmente ele vai mudar sim, para melhor!

God!!! Tanto tempo perdi eu a seguir o rebanho errado!

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Hoje foi o dia


Abria a gaveta da cómoda cheiinha até cima e os meus olhos paravam logo nas camisolas que deixaram de me servir.

Abria o roupeiro e parece que só reparava nas blusas que já não apertavam.

Hoje foi o dia. Passei revista a toda a roupa que tenho e tirei dos armários tudo o que já não me serve. Algumas coisas são para dar, outras ainda as vou guardar durante algum tempo numa caixa na garagem. Eu sou muito apegada às tralhas e este é um método que resulta comigo.

Até me sinto mais leve. Eu que achava que precisava urgentemente de todo o tipo de roupa, chego à conclusão que afinal... OK, preciso de 2 ou 3 pecinhas, mas fiquei com mais coisas do que pensava.

Podia estar a sentir-me frustrada por ter ganho peso neste último ano, mas vou optar por ficar feliz pelo caminho que escolhi percorrer.

Sim, ganhei peso. Mas ganhei também uma liberdade imensa. Estou a escolher cuidar da minha saúde mental, a fazer as pazes com a minha imagem, a curar a minha relação com a comida e a alimentar a minha auto-estima.

Escolho cuidar de mim e amar-me.
Escolho confiar no meu corpo e deixar-me guiar pela alimentação intuitiva.
Escolho não me deixar escravizar pela balança e afastar o meu valor do número que ela mostra.

O meu corpo está finalmente a voltar a confiar em mim e aos poucos vamos construindo uma relação saudável.

domingo, 7 de abril de 2019

Dos dias de caca

Ontem foi um dia de caca. Na mesoterapia tirei novamente as medidas e pelos vistos era suposto já ter perdido mais cm do que os que perdi. Vim para casa com um aperto no peito que me estava a fazer sentir pequenina, que me fez questionar se eu não tinha feito uma grande asneira ao deixar as dietas e seguir o caminho completamente novo e oposto da alimentação intuitiva e da aceitação de mim própria. Porque eu ganhei peso, eu sei. Porque eu sou de extremos. Porque eu um dia há muito tempo atrás decidi que queria mudar o meu corpo e que para isso tinha de o odiar em vez de o amar. Foi quando começaram as dietas e foi esse foi o meu grande erro na vida. Eu passei tanto tempo a odiar-me que me esqueci de como me amar. E agora com o body positivity tive um boost de confiança maravilhoso, sim, mas passei para o outro lado do espectro. Da restrição para o abuso. Do 8 para o 80...

Depois de muitos 'O que é tens? - Nada' e algum choro engolido, consegui finalmente abrir-me.

Ela: O que tens mãe? Eu conheço-te, estás triste com alguma coisa... Queres falar?...
Eu: Sabes, há dias em que me arrependo tanto de ter deixado as dietas... já engordei tanto!...
Ela: Oh! Só tens de equilibrar...
Eu: Mas eu não sei fazer isso. Eu sempre vivi nos extremos. Ou em dietas ou em abusos, não sei viver em equilíbrio...
Ela: Eu compreendo. Eu ajudo-te.

Eu sei que para as pessoas que nunca tiveram perto de desordens alimentares este é um não assunto, porque é um aspeto tão natural como respirar ou caminhar. Para quem, como eu, se debate com este problema, aprender a fina arte do Equilíbrio é uma aprendizagem árdua!

 A grande revelação para mim é que é possível eu amar-me como sou neste momento, mas mesmo assim tentar melhorar-me. E ela consegue ensinar-me isso.

Ela lê-me como um livro aberto. Ela sabe quando eu preciso de falar e quando preciso de estar quieta ou sozinha. Às vezes sinto-me culpada por estar a passar para ela estas minhas preocupações. Mas a nossa relação é assim tão transparente que é inevitável.

Ela é uma miúda impecável, tão forte, com uma auto-estima tão lá no alto que é impossível não a admirar ❤️

sábado, 16 de março de 2019

Fui cuidar de mim


Toda a minha vida tive as pernas gordinhas. Mesmo no menor do meu peso, as pernas sempre foram rechonchudas por todo, começando logo desde o tornozelo.

Das três vezes que me queixei a dois médicos diferentes, a resposta foi idêntica:
'Isso é gordura, tem de perder peso...'
'Mas Dr., eu se apertar dói, não poderá ser retenção de líquidos ou outra coisa qualquer?'
'Não, é gordura'
E lá vinha eu para casa com o estigma do peso às costas e de que eu é que era a fraca e me estava a fazer isto a mim mesma...

Hoje consultei uma especialista em Mesoterapia Homeopática que teve um discurso completamente diferente. Sim, tenho gordura, tenho bastante celulite, mas tenho essencialmente um grande edema nas pernas que nem com exercício de manhã à noite resolveria.

Só o alívio que senti por tirar das costas a culpa de estar a prejudicar o meu corpo, vale tudo!

Fiz uma primeira sessão de teste para decidir se estaria disposta a submeter-me ao tratamento e para esclarecer todas as minhas dúvidas.

Basicamente a mesoterapia consiste na infiltração na pele de um cocktail de medicamentos através de uma pequena agulha. Posso dizer que me senti um crivo!! Fui picada sem exagero umas 200 vezes, do tornozelo à virilha. E se na maioria das vezes a dor da picada era facilmente suportável, havia zonas que parecia autênticos choques (provavelmente onde apanhava reservas mais maciças de celulite). Para mim foi suportável, mas acredito que não seja assim com todos.

Então mas e a história que andas aí a apregoar do body positivity e aceitares o teu corpo como ele é...
Pois... debati-me com este tema a semana toda na minha cabeça, mas cheguei à conclusão que eu quero fazer isto para me sentir ainda melhor comigo. Se neste momento o po$$o fazer e se este tratamento me poderá proporcionar melhor qualidade de vida no futuro, estou a cuidar de mim, por mim. Não para parecer melhor aos olhos dos outros, mas para me sentir melhor, sem dores físicas nas pernas. Fiz as pazes com a minha decisão. Siga!

Vou fazer uma sessão destas durante 10 semanas. Ao mesmo tempo é aconselhado fazer 30 minutos de exercício contínuo por dia, simplesmente porque o músculo sendo trabalhado faz com o medicamento que foi introduzido se espalhe e atue melhor na zona que está a ser tratada.

Quanto à alimentação, pretendo manter a vertente intuitiva, mas a escutar mais o meu corpo. Ele já me vai pedindo mais fruta e legumes, que muitas vezes não tenho disponíveis, então faço escolhas mais pobrezinhas. Quero também beber 2 litros de água por dia sem falhar, para tentar expelir do meu corpo a maior quantidade possível disto que vai sendo dissolvido.

E é isto! É um tratamento médico? Sim. É um tratamento estético? Sim, também. É para ficar mais magra e agradável aos olhos dos outros? Não, não é! É para resolver um problema com que convivo já há muitos anos e que fará com que me sinta muito melhor no meu corpo.

domingo, 10 de março de 2019

Acreditar


Para quem não sabe, eu sempre tive fobia de água. Tudo o que fosse acima da cintura estava fora de questão para mim. Há cerca de 2 anos, inscrevi-me a mim e à filhota na natação, mais para perder o pavor da água do que propriamente aprender a nadar. Andámos lá uns 9 meses, muito sofridos para mim com muito ataque de ansiedade à mistura até que desistimos. Ela conseguiu aprender alguns movimentos para se desenrascar sozinha. Eu agora consigo pôr a cara na água e mexer-me para a frente e para trás com a ajuda de uma pequena prancha.

Hoje voltamos à piscina num horário livre. Acho que já lá não íamos há quase meio ano.

Diz ela: Anda, mãe, vamos a nadar até lá ao fundo!
A minha reação imediata: Já não sei nadar!
Ela: Sabes sim!
Eu: Mas não quero, tenho medo!
Ela: Medo de quê? Já sabias nadar com a prancha!
Eu: Medo de não conseguir, de ir ao fundo (a piscina tem 90cm...)
Ela: Pões-te em pé... Duhhh...
Eu: Não quero...
Ela: Então não falo contigo até chegarmos a casa...

E eu vi como estava a ser ridícula... Peguei na pranchinha e andei a nadar o tempo todo como fazia na aula e toda satisfeita da vida por superar os meus medos. Mais ainda, por saber que esta piasca acredita mais em mim do que eu própria!

Eu: Vês... não consigo sair do sítio...
Ela: E o que é que a professora dizia? Estás tensa!
Claro que estou tensa... É difícil, mas muito compensador superar uma coisa tão grande para mim, embora tão pequena para todos os outros.

Quero ir outra vez!

quarta-feira, 6 de março de 2019

Da gula


Ontem fiz um bolinho de chocolate pequenino. E comi só uma fatia.

Uma!
Eu... Quem diria!...
Quem diria que um dia eu conseguia fazer um bolo sem ficar completamente obcecada por ele e sem tirar uma lasquinha de cada vez que passasse na cozinha.
Sem pensar 'deixa-me comer todas as fatias que conseguir hoje, porque amanhã volto à dieta e já não posso!' 
Quem diria que este sentimento de despreocupação em relação à comida podia ser tão libertador.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

9 meses depois


Nove meses depois de embarcar na aventura do body positivity e da alimentação intuitiva, tenho notado algumas diferenças da maneira como olho para a comida e como a sinto. Acho que finalmente o meu corpo está a abrandar ao pedir-me as comidas que eu antigamente restringia. Já não me apetece doces nem comidas mais calóricas a toda a hora. Por acaso, ele até me tem pedido umas coisas interessantes que dantes nunca me teria passado pela cabeça sequer experimentar e muito menos gostar e apetecer-me. 


Sushi
Ora bem, fui com a mente muito aberta, mas nas primeiras vezes não me conquistou. Ultimamente temos comido todas as semanas e eu, que até dispenso o arroz nas refeições normais, fico satisfeitinha da vida quando vamos buscar um menú de sushi. Pela mentalidade de dieta, não seria algo para comer regularmente pela quantidade de hidratos de carbono... 
 

Chá 
Se há uns meses atrás eu era incapaz de beber chá sem açúcar, hoje em dia bebo várias chávenas ao dia sem problema. É mesmo uma questão de hábito e se antes aproveitava qualquer desculpa para consumir algo doce, agora não é o caso. 
 

Chocolate
Sempre foi e sempre será a minha grande perdição. Se estou desconsolada, só o chocolate consegue amansar a gula. Se antes era qualquer chocolate (bom, fraco, doce, azedo, em tablete, em bombom, em pó, de culinária), hoje sou mais seletiva e prefiro um bom chocolate preto. E não precisa ser uma grande quantidade, basta um ou dois quadradinhos. Estou mais seletiva e não encharco o meu corpo com porcaria. Este do Jumbo é simplesmente maravilhoso, seja na versão amêndoas ou avelãs.
 
 
Shopping
Antigamente ir jantar ao shopping era sinónimo de jantar McDonalds ou Pizza Hut. Afinal se era para sair da linha, que fosse em grande com comidas altamente calóricas e decadentes. Hoje dou por mim a ir à Pans e pedir meia sandes de salmão e guacamole e outra meia de mozzarella, tomate e pesto, porque tenho curiosidade de experimentar esses produtos mais naturais. E isto veio naturalmente, não é de todo manipulado pelo fantasma da dieta. 
 

Legumes
Se antigamente comer legumes à refeição era uma obrigação e um pequeno acréscimo ao prato, hoje é normal prescindir do arroz e da massa (porque não me apetece mesmo) e fico-me só pelos legumes e carne ou peixe porque é só isso que me apetece. Aliás, ultimamente tenho optado por almoços semi-vegetarianos e além de me divertir imenso a descobrir novos sabores, estou a adorar.
 

Sede
Após anos e anos a ignorar as minhas pistas naturais de fome, confesso que ainda não consigo distinguir bem quando tenho fome ou sede. Tenho notado que às vezes como qualquer coisa, quando na realidade o que tenho é sede. Parece estúpido e é difícil de explicar. Então tens sede e comes?! Não sabes que tens sede?! Às vezes não. Mas estou a tentar ficar mais atenta a estes sinais e a reconhecê-los. 
 

Lanches 
Ando a comer menos aos lanches e se não me apetecer de todo, salto essa refeição. Isto seria impensável com a mentalidade de dieta, tinha de comer de 3 em 3 horas, tivesse fome ou não. Aliás, conseguir largar o ato de comer por hábito a determinadas horas é ainda um trabalho em progresso. 

É muito importante para mim reconhecer estas pequenas conquistas. Se há dias em que me sinto no topo do mundo e maravilhada com esta liberdade da comida e com o facto de estar a gostar mais de mim, há dias também em que acho que estou a fazer uma grande asneira e que vou acordar um dia arrependidíssima de ter largado a dieta e que tenho de voltar para ela...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O caminho é longo

Hoje consigo olhar-me no espelho e gostar do que vejo. Consigo não ver só os defeitos, consigo ver além da coxa grossa, do pneu da barriga, do tornozelo inchado. Consigo ver beleza no todo e consigo não odiar o que outrora queria ver fora do meu corpo.

Mas...

Ainda há momentos que despertam em mim a outra Sweet - a que se odiava - e é esses momentos que eu tenho de trabalhar e tenho de arranjar estratégias para os ultrapassar sem grandes stresses.

Ontem no provador de uma loja aconteceu-me uma situação dessas e eu senti-me a dar um passo atrás nesta coisa de amar o meu corpo.

Uma coisa que eu acho que ajuda, e que eu tento fazer diariamente, é olhar-me bem ao espelho de corpo inteiro. Olhar para mim e ver o meu corpo. E em vez de o criticar, arranjar coisas boas para lhe dizer, nem que seja em pensamento. Porque há coisas que nós ousamos pensar sobre nós que são tão negativas que nunca teríamos coragem de dizer à nossa melhor amiga. E não nos podemos esquecer que nós temos de ser as nossas melhores amigas. Se não magoamos os outros com as nossas palavras, porque é que nos magoamos a nós próprios com os nossos pensamentos?

Olhar-me no espelho e focar-me a ver beleza no meu corpo é um exercício poderoso.

Numa nota completamente diferente, passados mais de 30 anos, a minha mãe tornou a tricotar para mim, uma espécie de poncho que eu adorei e que, pelo menos hoje, tem o cheiro dela ❤️


Aqui fica o registo para a posteridade, sim porque hoje passei uma eternidade à volta do espelho para tirar uma foto de jeito... Hoje o exercício está feito 😉

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Hoje foi um dia estranho

Hoje foi um dia estranho.

O dia de ano novo costuma ser para mim a primeira folha em branco de um caderno novinho que eu quero escrever com uma letra perfeitinha e desenhar com craions de cores suaves.

É o dia de definir novas metas, de sonhar com a vida mais saudável. É o tempo do Ah! Desta vez é que vai ser! Sempre foi.

E hoje senti-me encurralada por essa mentalidade que conheci toda a minha vida, de iniciar no livro novo uma dieta/vida saudável/perda de peso/exercício e o sentimento desconhecido de não ter de o fazer.

Por um lado quero fazê-lo porque sempre o fiz e gosto da sensação de estar a tentar sentir-me melhor. Por outro queria deixar de vez esta mentalidade de dieta.

Uma coisa é certa: nestes dias abusei, claro, todos abusamos nesta época, quanto mais não seja porque há uma panóplia de iguarias na mesa que normalmente não estão ali à mão de semear sempre a sussurrar Estou aqui, dá-me só uma dentadinha, anda lá...

E agora, mais do que resoluções para perder os quilinhos das festas, sinto falta das comidinhas mais leves, de legumes, de sopa, de água, de fruta. De vez em quando sinto uma dor nas pernas da inércia do sofá. A minha cara está salpicada de espinhinhas e eu já deito chocolate pelos olhos (quem diria hã?)

Quero comer melhor este ano, quero mexer-me mais este ano, mas não com o objetivo de perder x kg até ao dia y. Não. Quero sentir-me mais ativa e mais saudável, quero a minha pele mais radiosa e mais macia e para isso tenho de cuidar de mim de dentro para fora.

Estive quieta a maior parte do dia a tentar decifrar estes meus sentimentos dissonantes, mas acho que é isto, a imagem acima diz tudo! Sinto-me perdida, mas estou somente a evoluir e por isso tudo à minha volta me parece estranho...

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Do outro tipo de leveza


Houve uma altura da minha vida em que eu tinha medo de me pesar. Era novinha, alimentação saudável eram duas palavras que não caminhavam juntas no meu vocabulário e eu comia mesmo muita porcaria. Tinha medo que aquele objeto inerte tão poderoso me fosse gritar um número astronómico que eu não queria conhecer.

Até que subi em cima dela, odiei o grito que ela deu e resolvi dedicar a minha vida a subtrair dígitos àquele número hediondo.

Ela era o centro do meu mundo. Era a pensar nela que eu recusava os meus amados docinhos e que me entupia de legumes deslavados, mas saudáveis. Era ela que de manhã determinava se naquele dia eu tinha permissão para me sentir orgulhosa de mim ou se pelo contrário, devia sentir-me uma fraude por não ter conseguido reduzir uns gramas a este corpo parvo, porque eu teimava em reduzi-lo a um tamanho onde ele não se sentia confortável.

Ela dominava o meu mundo. Muitas vezes gritava-me mais do que uma vez por dia. Eu estava completamente dominada por aquele objeto estupidificante.

Foram várias as vezes que a tirei literalmente de casa para não ceder ao fascínio de ir mais uma vez medir o meu valor nela. Tomar a decisão de me afastar dela e realmente manter-me afastada foi das coisas mais difíceis que fiz neste processo.

O meu medo era só voltar a ser a pessoa descontrolada que fui na adolescência e que só a balança me iria conseguir policiar.

Só que não.

Deixei de me pesar regularmente há cerca de meio ano. Neste período cedi à tentação duas vezes e sinceramente agora não acho que acrescente nada à minha vida.

A Sweet dos 40 não tem nada a ver com a Sweet dos 20. A dos 20 temia o número da balança, a dos 40 está-se nas tintas para o número da balança. Ela já não mede o meu valor, porque eu sou um todo, um conjunto de coisas boas e menos boas e não somente um corpo que ocupa mais ou menos espaço no mundo.

Quando me afastei dela e me dei permissão para deixar de rotular os alimentos como bons e maus (leia-se saudáveis e não saudáveis) e passar a olhar para todos simplesmente como alimentos, sem restrições, confesso que o meu corpo desejou os menos saudáveis durante uns tempos. Isto porque eu passei tanto tempo a restringi-los que ele quis aproveitar enquanto podia. Só que agora o meu corpo já percebeu que pode sempre e por isso é que a caixa de Ferreros que comprei na segunda feira ainda está intacta, porque sabendo que posso comer sempre que me apetecer, acaba simplesmente por não me apetecer. E se hoje me apetece almoçar uma sopinha, vou fazê-lo com prazer e não como obrigação. E o mais engraçado é que sinto mesmo o meu corpo a balancear as coisas, noto que estou a comer em menor quantidade e maior variedade do que antes.

E é este o tipo de leveza que o body positivity me trouxe: a liberdade!

O facto de deixar de lutar com o meu corpo e ter a minha mente e o meu corpo a fazerem as pazes e a deixarem de puxar a corda um para cada lado, numa luta permanente.

O facto de me sentir bem comigo mesma sem ligar aos estereótipos impostos pela gigante indústria da beleza.

Não tenho uma barriga lisinha, mas tenho uma curvinha fofinha e gosto dela. Ela conta a mais bonita história de amor de sempre, a do nascimento da minha filhota. Todas as minhas estrias e os meus pneuzinhos contam a minha história, só me posso orgulhar dela.