terça-feira, 3 de novembro de 2020

Da libertação do peso dos números


Há poucas semanas descobri a maravilha das leggings como roupa de andar por casa. 

Foi coisa que nunca me tinha chamado a atenção, por um lado por não achar que favoreça as minhas pernas, por outro porque vejo muita gente na rua com leggings pouco opacas e detesto isso. No entanto, descobri na Decathlon umas bastante opacas e confortáveis.

Ora faltava-me umas túnicas para me sentir mais confortável. Hoje fui à Kiabi e comprei duas túnicas tamanho XXL. Sim o XL servia-me, mas não dava o aspeto largo ao look que eu procurava, então subi o número sem fazer disso um bicho de sete cabeças. 

E se isto parece realmente algo sem importância nenhuma para o comum dos mortais, para mim é mais um passo de gigante na aceitação e no facto de descolar todo e qualquer valor do número da etiqueta. No passado nunca me teria atrevido a subir um número. Provavelmente iria preferir mudar por completo o estilo que procurava. Hoje sinceramente não quero saber da etiqueta, quero é sentir-me bem comigo. 

E estes outfits vão ser bastante usados nos próximos tempos, pois como era mais do que previsível, voltamos ao teletrabalho e ao slow living... 


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Never have I ever


 
Nunca na vida tinha tido coragem de andar com unhas pintadas de cor forte. Só ao fim de 44 anos é que senti que as minhas micro-unhas também tinham direito a ser mimadas apesar de não serem aquelas unhas longas e elegantes que fazem uma mão bonita e me rendi à manicure profissional. São pequeninas, mas são as minhas. A partir do momento em que as aceitei precisamente como elas são e me convenci que também elas podem ser belas, passei a cuidar muito melhor delas. 

Este é provavelmente a maior simbologia da minha auto-aceitação. Afinal, ser fora do padrão pode ser o meu maior atributo e não o meu pior defeito.

Nunca na vida tinha tido coragem de usar a minha camisola básica e justa sem algo a tapá-la. Nunca me tinha atrevido a mostrar os pneuzinhos que esta camisola, que me acompanha seguramente há uns 20 anos, não consegue esconder. Hoje foi o dia, porque realmente eu sinto-me bem com ela (pneuzinhos incluídos) e muito sinceramente a opinião dos outros deixou de me interessar. A isto chama-se confiança.

Nunca na vida usei uma saia no emprego. Aliás, tirando os vestidinhos de verão, nem sequer tenho uma única saia. Ainda não foi hoje, mas estas calças largas mega confortáveis são um passo de gigante nessa direção. Também nunca na vida me tinha atrevido a chamar a atenção para a parte inferior do meu corpo com as cores mais vivas. Normalmente uso calças de ganga ou pretas e avivo o visual com camisolas de padrões. Inverter esta tendência é uma novidade para mim. Aliás, tentar adivinhar o que os outros pensam ao olhar para mim, se é que pensam alguma coisa de todo, deixou de estar na minha lista de preocupações.

Abraçar-me a mim própria como um todo tem sido uma lufada de ar fresco na minha vida, porque o meu corpo é provavelmente a coisa menos interessante em mim.

domingo, 18 de outubro de 2020

Tem dias


Há dias em que sinto que não estou empenhada a 100% nisto do body positivity.

Há dias em que penso que seria tão mais confortável embarcar em mais uma dieta. É difícil ver o meu corpo a mudar, a voltar à estaca zero. 

Há dias em que sinto falta da sensação de falso controlo que a dieta me transmite. Sinto falta do objetivo, daquela adrenalina quando um dia corre na perfeição.

Nunca sentirei falta da sensação de fracasso quando a dieta empanca ou quando invariavelmente deixa de funcionar. E muito menos falta sentirei da sensação de falhanço ao olhar pela quinta vez para o número da balança sempre despida de qualquer acessório que acrescente 10 gramas sequer.

Há dias em que me sinto poderosa, levanto a cabeça bem alto e caminho com segurança no andar e de sorriso no rosto. 

E depois há dias em que me questiono se terei tomado a decisão certa e sinto-me só desleixada. 

Porque eu sinto que ainda não soltei as amarras completamente. Adoro a liberdade que o self-love, a self-acceptance e o body positivity me dão, mas lá no fundo eu ainda quero ter um corpo mais pequeno. Não para me encaixar mais em algum padrão, mas porque as pernas começam a queixar-se e eu lá no fundo tenho medo que os quilinhos a mais acabem mesmo por ser prejudiciais à minha saúde no futuro.

Eu não quero embarcar em dietas e obsessões de números, mas quero retirar alguma gordura do meu corpo. As pernas e os pés começam a ressentir-se e penso que isso seja ele a chamar-me à razão.

Gostava que ele encolhesse um pouco, não posso mentir, mas sem ponta de obsessão, sem ponta de sacrifício, só a ouvi-lo, a nutri-lo, a move-lo como ele merece.

Não quero voltar à never-ending story das dietas de A a Z, mas também não quero continuar a crescer mais e mais. É um equilíbrio muito fino e que vou ter de encontrar para bem da minha saúde física e mental. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

De volta


Depois de mais de 6 meses em teletrabalho, é altura de voltar a tempo inteiro ao escritório (por agora, pelo menos).

Tenho de me sentir grata por ter estado este tempo todo mais resguardada, mas a verdade é que uma pessoa se habitua a este estilo de vida mais slow e sei que me vai custar a voltar a entrar no ritmo e a estar mais tempo fora de casa, sobretudo a mim, que sou uma pessoa extremamente caseira.

A vantagem de estar em casa foi mesmo o facto de poder acompanhar a minha filha numa fase tão importante da vida dela, a conclusão do 12º ano, exames, tudo envolto no manto da pandemia. Foi também conseguir ter tempo para fazer coisas minhas, ver televisão, organizar a casa mais a fundo, não stressar com o jantar, entre outros.

A desvantagem foi mesmo o facto de não ter conseguido criar uma rotina e desleixar-me na alimentação. Seria de pensar que com mais tempo livre a pessoa se dedicasse a fazer uma alimentação mais regrada, não seria? Pois não foi isso que aconteceu. Estando em casa, comia qualquer coisa que estivesse à mão, várias vezes ao dia. Muito diferente da marmita que preparo para o dia inteiro fora de casa, não é?

Portanto, regressar a 100% vai ser uma sensação agridoce:

- Vou deixar de ter o meu tempo para pastelar (tempo demais até)
- Vou voltar a perder 1 hora do meu dia em deslocações (se bem que posso contar com a minha música)
- Vou deixar de poder estar mais tempo com a minha filha (ela não entrou na faculdade por duas décimas, vamos esperar pelos resultados da segunda fase)

Mas

- Vou voltar às minhas rotinas. Consigo ter uma alimentação mais saudável com recurso às minhas marmitas de almoço e lanches e consigo ingerir mais água
- Vou dar mais valor ao menor tempo que vou passar em família
- Vou querer aproveitar a hora de almoço para fazer caminhadas à beira mar, para vir a casa adiantar o jantar ou para fazer compras

Pessoalmente acho uma estupidez voltar neste momento a estar toda a gente na empresa ao mesmo tempo. Numa altura em que a situação não para de piorar, penso mesmo que é uma questão de tempo até estarmos de novo em teletrabalho, mas vou optar por ser otimista e agradecer o facto de ter podido estar em casa este tempo todo até agora. O futuro logo veremos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Das novas resoluções - frutas e legumes


Umas das resoluções que tomei foi privilegiar o consumo de frutas e legumes, comprá-los no comércio tradicional e preparar tudo de imediato.

Há duas semanas que o faço e na realidade funciona. 

Eu costumava comprar tudo no supermercado apenas por comodidade. Assim não tinha de me deslocar a outra loja, além de que não tinha à beira de casa nem do emprego uma frutaria que me agradasse. Ora, no supermercado acabava por pagar esses alimentos mais caros e com menos qualidade, além de que muitas vezes trazia fruta sem sabor ou que se estragavam muito rapidamente devido aos métodos de conservação que eles utilizam. A juntar a isto o facto de ter tantas compras para arrumar que o que menos me apetecia era estar a arranjar legumes.

Agora, arranjei uma frutaria relativamente perto de casa e acabo por trazer frutos e legumes mais frescos, cheios de sabor e, na maioria das vezes, nacionais.

Quando chego a casa com o saco da fruta e dos legumes o que faço é:

- Fruta - lavo, seco muito bem e coloco ou na fruteira, se precisar de amadurecer um pouco mais, ou no frigorífico, se estiver pronto a comer.
- Couve-flor ou brócolos - corto os floretes e guardo numa caixa pronto a cozinhar
- Alface, feijão-verde e couve - corto em pedaços e guardo numa caixa pronto a cozinhar
Este tipo de legumes opto por lavar só quando for utilizar para evitar estragar tão depressa

O que acontece é que tenho mais vontade de comer a fruta porque na realidade é mais saborosa. E quanto aos legumes, se por um lado estão já preparadinhos e é só mesmo cozinhar, por outro lado, tenho mesmo de os consumir nessa semana quanto mais não seja para não os deixar estragar.

Além de que poupo dinheiro… Só vantagens, nem sei como não me rendi a isto há mais tempo!!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Eu mereço!!!



Há coisas que nunca fiz ou que deixei de fazer por não estar confiante comigo própria - mesmo quando tinha 30kg a menos, porque isto pouco tem a ver com o corpo -  por vergonha, por falta de confiança, por receio do que os outros poderiam pensar... 

Chega de esperar por ter um corpo assim ou assado ou chegar a determinado número (na balança ou nas calças) para me achar merecedora de alguns mimos. 

Setembro para mim é sempre um virar de página. É um caderno a cheirar a novo com folhas limpinhas, só cheias de esperança de criar um Eu melhor que merece que eu ouça o meu corpo, que cuide dele, que o nutra devidamente, o hidrate, o mexa e o mime. 

Porque foram anos demais convencida de que para ter motivação para o mudar, eu tinha de o odiar. Foi a maior mentira em que acreditei. E por isso corpo, eu te peço desculpa. A ti que estiveste sempre aqui quando eu mais te odiei, tu nunca me abandonaste. Nunca mais te voltarei a odiar... 

Setembro é sempre sinónimo de recomeço e neste recomeço vou sair da minha zona de conforto e mimar-me com coisas novas que não faço por vergonha ou por considerar que não consigo ou mereço.

Eu mereço agora e sempre!

💭 Usar um vestido

💭 Correr 1km seguido

💭 Fazer uma massagem

💭 Fazer manicure e pedicure regularmente

💭 Usar umas botas compridas

💭 Fazer uma aula de grupo (ioga ou zumba, por exemplo)

💭 Aprender a maquilhar-me

💭 Renovar o guarda roupa

É também minha intenção, agora mais do que nunca, ouvir o meu corpo, respeitá-lo, amá-lo e trata-lo incondicionalmente. É minha intenção fazer também isto:

💭 Fazer 100 horas de caminhadas - acompanhada pela minha música e em sítios agradáveis para mente

💭 Andar sempre com a garrafa de água na mochila - e bebê-la mesmo, eu sou pro em auto-sabotar-me com a hidratação e como isso faz bem a todo o corpo

💭 Privilegiar frutas e vegetais na alimentação - quero começar a comprá-los na feira ou no pequeno comércio e a fazer a sua preparação no fim da semana. Se já estiver tudo lavadinho e arranjadinho, devidamente acondicionado, haverá a tendência de os consumir mais

💭 Arranjar 30 minutos ao final do dia para desacelerar - são 30 minutos que quero roubar à tv ou às redes sociais e passa-los a tratar da minha pele, da inspiração do dia e aventurar-me no mundo da meditação 

Esta singela lista tem como objetivo acima de tudo fazer-me focar no meu bem estar holístico, manter-me na minha bolha e desacelerar o ritmo da vida. A lista vai ficar ali guardada num separador à parte e atualizada sempre que necessário, seja para riscar algum dos objetivos que tenha sido atingido, seja para adicionar mais algum que eu me atreva a acrescentar