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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Da magia


Eu adoro o Natal.

Adoro ver a minha casa decorada, adoro estar debaixo da minha mantinha, colada à minha filha e, na penumbra da sala, ver pelo canto do olho as luzinhas da árvore a piscar.

Adoro ver os filmes de Natal para miúdos e graúdos repletos de encantamento e magia.

Adoro comprar os presentes, embrulhá-los,  colocá-los debaixo da árvore a dar-lhe ainda mais vida.

Adoro antecipar na minha imaginação o brilho nos olhos da minha filha, dos meus sobrinhos ou até mesmo dos adultos ao desfazer os embrulhos coloridos e conseguir vislumbrar sorrisos sinceros de felicidade.

Adoro muito mais dar do que receber. Adoro pensar que consigo tirar um poucochinho do pouco que tenho e partilhar com quem tem menos e tentar espalhar essa sensação ao longo do ano.

Vermelho não é de todo uma das minhas cores de eleição, mas adoro vê-lo salpicado por todo o lado nesta época. O Natal aos meus olhos veste-se de vermelho e verde com respingos de dourado.

Adoro o cheiro do Natal. O Natal cheira a canela, não há nada que eu mais goste do que comer a primeira rabanada quentinha embebida em leite adocicado e envolta numa espécie de areia de canela e açúcar. O Natal é leite creme, aletria e queijo da serra com pão de ló.

Eu acho que adoro mais os preparativos, a expectativa, a paz do antes, do que a azáfama do durante e a leve sensação de vazio do depois. Por isso é que eu gosto de fazer a árvore a meio de novembro, mas dificilmente gosto de a ver semi-nua, sem os embrulhos, a dar o salto para o novo ano.

E este ano com um espírito mais leve que já não tinha há mais de 15 anos, sem o fantasma da dieta de braço dado com o fantasma da compulsão que atacava à mínima distração da dieta, num arrependimento sem fim. Este ano não.

A minha filha há dias dizia-me 'O Natal não tem a mesma magia que tinha antes' ao que eu respondia 'O Natal é igual, nós é que o sentimos de maneira diferente à medida que vamos crescendo'

Mas ele não precisa de perder a magia, ela está sempre dentro de nós, mais ou menos adormecida, cabe-nos a nós reavivarmos a nossa chama tão viva da infância.